30.3 C
Manaus
quinta-feira, 12 fevereiro, 2026
InícioPolíticaCuba: um coração que não recuou

Cuba: um coração que não recuou

Date:

[ad_1]

“Pátria é Humanidade” – José Martí

No mês de julho deste ano, participamos da 2ª Caravana Internacionalista de Solidariedade a Cuba, organizada pelo ativista Thiago Ávila com o apoio do ICAP (Instituto Cubano de Amizade entre os Povos). Ao lado de mais de uma centena de brasileiros e brasileiras, rumamos à Ilha levando doações, expectativas e o nosso fascínio alimentado ao longo de décadas lendo as histórias da Revolução, José Martí, Fidel Castro, Che Guevara, Camilo Cienfuegos, Célia Sánchez e ouvindo artistas atemporais como Compay Segundo, Ibrahim Ferrer, Omara Portuondo e Sílvio Rodriguez.

Nossa experiência revelou um país que, apesar do bloqueio econômico, político e midiático, resiste com dignidade aos ataques do imperialismo. O objetivo principal da visita, para muito além do turismo, foi o fortalecimento de laços de solidariedade, uma melhor compreensão da Revolução Cubana e o auxílio ao rompimento do bloqueio da informação que distorce a realidade sobre a Ilha. A imagem propagada pela grande mídia internacional, de uma ditadura opressora, contrasta fortemente com a vivência concreta de um governo amigo e um povo caloroso, resiliente e criativo, que passa por muitas dificuldades. Muitas pessoas, principalmente as mais jovens, se vêem um tanto desalentadas com suas profissões e seu sustento diante de tantas dificuldades econômicas, mas mesmo não compreendendo inteiramente os motivos políticos que as privam de uma vida melhor, um bloqueio criminoso de mais de meio século, elas mantêm viva e acesa a chama da esperança no futuro.

Parte da delegação brasileira em frente ao túmulo de Fidel Castro, no Cemitério Santa Ifigênia, em Santa Clara (Fotos: Emanuel Dal Bello, Estevão Zalazar e Fabiano Zalazar)

Em intensos dias de viagem, passamos por cidades históricas como Havana, Santiago, Camagüey, Las Tunas, Ciego de Ávila, Santa Clara e Bayamo, visitando hospitais, centros de pesquisa e locais históricos da cultura e da Revolução, como a Granjita Siboney, um marco do início da Revolução, o Parque do desembarque do Granma, a Praça da Revolução, Habana Vieja e o Cemitério Santa Ifigênia, em todos os lugares ecoando arte e cultura, ao som de um dos mais lindos e potentes ritmos musicais já produzidos pelo ser humano.

Cuba enfrenta dificuldades históricas impostas pelos Estados Unidos e aliados, que na escalada fascista do governo Trump, a classificou como patrocinadora do terrorismo. Como já dizia Fidel Castro, desde a Revolução de 1959 Cuba não exporta bombas, mas sim médicos. Aliás, impressionante até entre os mais jovens como Fidel é amado e admirado, o comandante é uma unanimidade absoluta. Essa vocação humanista sustenta serviços públicos robustos, mesmo sob mais de 140 sanções ao longo de décadas. A mortalidade infantil de Cuba está entre as mais baixas das Américas, comparável à de países europeus. A expectativa de vida, ainda que tenha recuado nos últimos anos, segue alta. Durante a pandemia, Cuba priorizou a imunização coletiva, desenvolvendo vacinas próprias e reafirmando seu compromisso com a saúde pública. Quanto à segurança, embora as estatísticas demonstrem aumento da criminalidade em 2024, a experiência da nossa delegação foi de tranquilidade, inclusive em Havana e Santiago, com muito mais segurança que em capitais brasileiras

Vista da Assembleia Nacional de Cuba da torre do Memorial José Martí

Na educação, Cuba é referência internacional. Desde a erradicação do analfabetismo em 1961, a taxa de alfabetização ultrapassa 99%. O país destina cerca de 23% de seu orçamento à área, a maior proporção da América Latina. A universalização do ensino, a qualidade do sistema técnico e a exportação de métodos de alfabetização como o “Yo, sí puedo”, reforçam o compromisso social da Revolução. No Brasil, o método inspirou o projeto “Sim, Eu Posso!”, aplicado em comunidades populares.

O imponente Capitólio Cubano (Fotos: Emanuel Dal Bello, Estevão Zalazar e Fabiano Zalazar)

Outro ponto observado foi a democracia cubana, organizada em torno do Poder Popular. Diferente dos moldes liberais ocidentais, o Partido Comunista é reconhecido constitucionalmente como força dirigente, mas não interfere na indicação de candidatos. A Assembleia Nacional, composta por 470 deputados eleitos pelo voto direto, é o órgão supremo, e seus parlamentares não recebem remuneração por essa tarefa. O sistema se complementa com Assembleias Municipais, Conselhos Populares e Circunscrições Eleitorais que permitem revogar mandatos, aproximando governo e cidadãos.

Presidente Miguel Díaz-Canel e um abraço fraterno em Ciego de Ávila

Os Comitês de Defesa da Revolução (CDR), criados em 1960, funcionam em cada bairro, atuando tanto em vigilância política quanto em campanhas sociais. As candidaturas são construídas em assembleias locais, sem propaganda paga, baseadas no histórico comunitário dos candidatos. As biografias são divulgadas amplamente antes das eleições, permitindo que os eleitores avaliem suas qualificações. Essa estrutura, muitas vezes ignorada fora de Cuba, demonstra um modelo próprio de democracia, enraizado na participação popular e na solidariedade coletiva.

*Fabiano Zalazar é servidor do TJRS e Secretário Geral do Sindicato dos Servidores da Justiça do RS (Sindjus-RS).

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

[ad_2]

Fonte: Brasil de Fato

spot_img
spot_img
Sair da versão mobile