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segunda-feira, 1 junho, 2026
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Crime impõe custo de R$ 107 bilhões por ano à indústria

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O crime gera um impacto estimado de R$ 107 bilhões por ano para a indústria brasileira, somando prejuízos diretos provocados por atividades ilícitas e despesas destinadas à proteção das empresas. O dado é de uma sondagem realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com 1.398 empresas de 32 segmentos industriais em todo o país.

Do total, R$ 68,8 bilhões correspondem aos investimentos realizados para prevenir crimes, incluindo vigilância patrimonial, monitoramento eletrônico, segurança cibernética e proteção pessoal. Outros R$ 39,1 bilhões refletem perdas diretas na receita das empresas decorrentes de roubos de carga, furtos de matéria-prima, contrabando, pirataria e fraudes no consumo de energia elétrica.

Segundo a entidade, os recursos consumidos por essas ocorrências poderiam ser direcionados para investimentos produtivos, ampliação da capacidade industrial e geração de empregos.

Pequenas e médias empresas

A pesquisa indica que mais de um terço das indústrias brasileiras sofre impactos diretos da criminalidade. Os efeitos são particularmente relevantes entre empresas de pequeno e médio porte, que apresentam perdas equivalentes a 0,6% e 0,8% da receita líquida anual, respectivamente. Nas grandes empresas, o percentual cai para 0,4%.

A análise ganha relevância diante da participação das micro e pequenas empresas na estrutura industrial do país. De acordo com dados do Sebrae, esse grupo representa 44% da indústria brasileira. Quando expostas a pressões decorrentes da criminalidade, essas companhias tendem a reduzir investimentos, adiar projetos e assumir posturas mais conservadoras, com possíveis reflexos sobre a produtividade e o crescimento econômico de longo prazo.

Roubo de carga lidera ocorrências

Entre os ilícitos mais frequentes apontados pelas empresas, o roubo de carga aparece na liderança, citado por 32% dos entrevistados. O problema afeta especialmente médias e grandes companhias, que dependem de cadeias logísticas mais amplas e complexas.

O impacto é particularmente visível em estados com grande circulação de mercadorias. No Rio de Janeiro, por exemplo, dados da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) apontam mais de 3 mil ocorrências de roubo de carga registradas em 2025, o equivalente a cerca de oito ataques por dia. O prejuízo estimado para as empresas chegou a R$ 314 milhões.

Já entre os pequenos negócios, os crimes patrimoniais dentro das próprias instalações, como furtos e roubos, aparecem com maior frequência.

Concorrência desleal

A segunda ilegalidade mais reportada pelas empresas está relacionada à comercialização de produtos em desacordo com regulamentações técnicas, normas de segurança e exigências legais. Nessa categoria se enquadram mercadorias sem certificações obrigatórias, com rotulagem inadequada ou produzidas fora dos padrões exigidos.

Práticas como pirataria e falsificação também figuram entre os principais problemas enfrentados pelo setor industrial. Além dos riscos ao consumidor, essas atividades reduzem custos para quem atua fora da legalidade, criando um ambiente de concorrência desleal.

Como consequência, a perda de participação de mercado aparece entre os efeitos mais relevantes da criminalidade para a indústria, sendo citada por 30% das empresas afetadas. O indicador fica atrás apenas da perda direta de receita bruta, mencionada por metade dos entrevistados.

Segurança e fiscalização no centro das soluções

Além das perdas financeiras, as empresas relatam aumento dos custos operacionais para reforçar a segurança e ampliação das despesas jurídicas relacionadas ao enfrentamento de atividades ilícitas.

Questionadas sobre as medidas mais eficazes para combater o problema, 77% das empresas apontaram ações de fiscalização e controle. Estratégias de inteligência foram citadas por 46% dos entrevistados, enquanto 36% defenderam o endurecimento da legislação.

Para a CNI, a predominância dessas respostas revela uma percepção compartilhada pelo setor produtivo de que a redução da criminalidade depende de uma atuação mais intensa do poder público na fiscalização de produtos irregulares e no combate às cadeias de comercialização associadas a práticas ilegais.

Crime organizado preocupa

A pesquisa também aponta que parte dos prejuízos pode estar associada à atuação do crime organizado, especialmente em segmentos como combustíveis e bebidas. No entanto, a sondagem não permite mensurar com precisão a participação dessas organizações no valor total estimado das perdas.

Segundo a CNI, as empresas conseguem identificar os danos econômicos causados pelos crimes, mas raramente dispõem de informações suficientes para determinar quem está por trás das ações criminosas.

Ainda assim, a entidade considera que o avanço das atividades ilícitas representa um fator adicional de pressão sobre a competitividade da indústria brasileira.





ICL Notícias

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