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sexta-feira, 27 fevereiro, 2026
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Correios: Governo autoriza mais R$ 8 bilhões em empréstimos com garantia da União

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O governo federal ampliou o espaço para que os Correios captem novos recursos com garantia da União. A autorização foi concedida na quinta-feira (26) pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), elevando em R$ 8 bilhões o limite para operações de crédito respaldadas pelo Tesouro.

A medida ocorre em meio a uma crise financeira considerada inédita na estatal. Entre janeiro e setembro do ano passado, o prejuízo acumulado chegou a R$ 6 bilhões. Para 2026, a expectativa do governo é de que o déficit alcance R$ 9,1 bilhões. O balanço fechado de 2025 ainda não tem data para divulgação.

Segundo o CMN, a ampliação do limite busca assegurar a continuidade do Plano de Reestruturação Econômico-Financeira da empresa, aprovado em dezembro de 2025.

Empréstimo ou aporte direto

Apesar da autorização, integrantes do governo e da estatal ainda discutem o formato da capitalização. A possibilidade de os R$ 8 bilhões serem transferidos diretamente pelo Tesouro, na forma de aporte — e não por meio de empréstimo — permanece em análise. A decisão final deve ocorrer até o fim do primeiro semestre.

No fim de 2025, os Correios já haviam contratado um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia da União. A operação envolveu cinco das principais instituições financeiras do país: Itaú Unibanco, Bradesco, Santander Brasil, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O contrato tem validade até 2040.

A operação foi autorizada pelo Tesouro Nacional, que também garantiu o cumprimento dos limites de juros previstos para empréstimos com aval da União. Caso a estatal não honre os pagamentos, o governo federal assume a obrigação junto às instituições credoras.

Antes disso, o Tesouro havia rejeitado uma proposta de R$ 20 bilhões devido à taxa de juros considerada excessiva — 20% ao ano, acima do teto de 18% aceito pelo comitê responsável.

Plano de reestruturação

A deterioração financeira dos Correios reflete desafios estruturais enfrentados pela estatal nos últimos anos, como queda no volume de correspondências tradicionais, aumento da concorrência no setor de encomendas e pressões operacionais.

O plano de reestruturação em curso busca reequilibrar as contas, melhorar a governança e preservar a capacidade de investimento da empresa. A ampliação das garantias é vista como instrumento para assegurar liquidez no curto prazo enquanto medidas estruturais produzem efeito.

Novo foco em benefícios e sustentabilidade

Paralelamente às medidas financeiras, os Correios anunciaram, em parceria com a Postal Saúde, o lançamento de dois novos planos de saúde voltados a empregados, aposentados, ex-empregados e, pela primeira vez, familiares.

Nesta fase inicial, os planos Piloto Master/DF e Piloto Ambulatorial/DF estão disponíveis no Distrito Federal, com previsão de expansão gradual até o fim do primeiro semestre de 2026.

Os produtos seguem a modalidade pré-paga e são custeados integralmente pelos beneficiários, com mensalidades a partir de R$ 118, conforme faixa etária e tipo de cobertura. O plano Master inclui cobertura hospitalar e ambulatorial (exceto obstetrícia), com coparticipação de 15%. Já o Ambulatorial cobre consultas e exames previstos no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), sem internações.

Estratégia de equilíbrio econômico

Segundo a diretora de Gestão de Pessoas dos Correios, Natália Mota, a ampliação dos planos integra o processo de transformação da empresa e reforça a sustentabilidade do sistema assistencial.

Do ponto de vista financeiro, a iniciativa amplia a base de beneficiários da Postal Saúde e diversifica as fontes de custeio, contribuindo para o equilíbrio econômico-financeiro da operadora.

Em um contexto mais amplo, a medida dialoga com o papel complementar da saúde suplementar em relação ao Sistema Único de Saúde (SUS), ao ampliar o acesso à cobertura privada e reduzir pressões sobre a rede pública.

 





ICL Notícias

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