‘Colônia de férias’: policiais presos em Manaus saíam para churrascos, futebol e até dormiam em casa, aponta investigação

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Cadeia com jeito de colônia de férias. - Reprodução TV Globo/ Montagem Portal Ecos do Norte

Um núcleo prisional militar em Manaus virou alvo de denúncias após investigações apontarem que policiais militares presos por crimes graves viviam uma rotina marcada por regalias, saídas frequentes e falta de fiscalização. As informações foram reveladas pelo Fantástico, da TV Globo, e expõem um cenário descrito por autoridades como uma verdadeira “colônia de férias”.

Segundo a reportagem, 71 policiais militares estavam custodiados no local respondendo por acusações como homicídio, tráfico de drogas e estupro. Apesar da gravidade dos crimes, os detentos teriam liberdade para sair da unidade, circular pela cidade, participar de atividades de lazer e até dormir em casa.

Churrasco na cadeia em Manaus. Foto: Reprodução/TV Globo

As investigações do Ministério Público do Amazonas apontam que a falta de controle dentro da unidade permitia que presos utilizassem o fato de estarem oficialmente custodiados como álibi para cometer novos crimes fora do presídio.

Imagens obtidas durante a apuração mostram policiais presos organizando churrascos, frequentando espaços públicos e participando de partidas de futebol. Em um dos episódios citados, um sargento foi flagrado deixando a unidade carregando bolas para jogar futebol.

Mensagens encontradas no celular do militar reforçaram o cenário de irregularidades. Em conversas, ele comparava a permanência no núcleo prisional a um período de descanso, tratando a estadia no local como uma experiência confortável e sem rigidez.

Troca de mensagens entre sargento e sua esposa. Foto: Reprodução/TV Globo

De acordo com os investigadores, o espaço utilizado nunca foi projetado para funcionar como unidade prisional, fator que teria contribuído diretamente para a ausência de fiscalização efetiva e para as falhas na custódia dos detentos.

Após a repercussão das denúncias, o Governo do Amazonas decidiu desativar o núcleo prisional militar. Os policiais presos foram transferidos para uma unidade localizada dentro de um complexo penitenciário com estrutura considerada mais adequada para o cumprimento da custódia.

A transferência gerou protestos de familiares e dos próprios detentos, mas, segundo as autoridades, ocorreu sem necessidade de uso da força.

O caso aumentou a pressão sobre o sistema de custódia militar no Amazonas e levantou questionamentos sobre privilégios, fiscalização e o tratamento dado a agentes de segurança presos por crimes graves.

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