29.4 C
Manaus
segunda-feira, 13 abril, 2026
InícioBrasilCaco Barcelos dá uma aula sobre o ´Orientalismo´

Caco Barcelos dá uma aula sobre o ´Orientalismo´

Date:


Caco Barcelos, profissão repórter, mostrou que é possível, apesar de  uma linha editorial rotineiramente pro-EUA/Israel da tv Globo, revelar que existe gente e família — não apenas “terroristas” — em um país como o Irã. Isso já é, demasiadamente humano, um furaço para quem se informa apenas pelas emissoras brasileiras.

Bastou um minuto de uma cena de um piquenique em um parque de Teerã, no Dia da Natureza, para que o telespectador comum tomasse um belo susto: Deus do céu, há vida humana por lá, por que nunca me contaram isso?

Deus do céu, deu água na boca aqueles espetinhos. Ah, uma cerveja antes do novo ataque dos mísseis, para ficar pensando melhor.

Na companhia do cinegrafista e também repórter Thiago Jock, Caco conseguiu um épico na sua temporada no Irã. No meio de uma multidão que esperava o apocalipse prometido por Donald Trump, testemunhou que os céus não desabaram e que a civilização daquele país continua.

Caco Barcelos, profissão repórter, fez um relato do cotidiano da população diante do ataque dos EUA e de Israel. Não enalteceu, em momento algum, o regime político iraniano, deu um histórico recente sobre os protestos e contou da peleja das mulheres por dias e costumes mais respiráveis.

A reportagem mostrou, no entanto, que mesmo diante de um regime sacana, opressor e questionável, a população não é vira-lata capaz de lamber as botas e aderir ao “imperador do mundo”. Não vê em Trump a salvação, como acontece, por exemplo, com os bolsonaristas aqui nos trópicos.

Sem essa pretensão didática, óbvio, mas a matéria sobre o Irã funcionou como uma breve versão popular do “Orientalismo: O Oriente como Invenção do Ocidente”, livraço de Edward Said publicado no Brasil pela Companhia das Letras. O autor revela como o Ocidente “inventou” a visão estereotipada do Oriente. Recomendo.

Caco Barcelos, profissão repórter, mostrou, neste domingo no “Fantástico”, o grande segredo: é preciso mostrar que lá — seja aonde for esse lá que o jornalismo esteja — tem gente.





ICL Notícias

spot_img
spot_img
Sair da versão mobile