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O economista Eduardo Moreira afirmou, durante participação no ICL Notícias 1ª edição desta segunda-feira (19), que o caso envolvendo o Banco Master revela problemas estruturais do sistema financeiro brasileiro e afeta toda a sociedade, não apenas investidores diretos da instituição. Segundo ele, a leitura de que “só falta o pagamento” aos lesados distorce a gravidade da situação.
“Só falta o pagamento é tudo. Os caras não receberam nada, estão na pior”, afirmou. Para Moreira, o episódio reforça um alerta recorrente: o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), embora importante, não elimina riscos. “Garantia é uma coisa que foi feita para não ser usada. Quando você tem que usar, pode ter certeza que vai ter trabalho e, muitas vezes, não vai conseguir.”
Ele destacou que centenas de milhares de pessoas enfrentam dificuldades para receber valores do FGC e lembrou que uma parcela relevante dos prejudicados sequer está coberta pelo fundo, como investidores de fundos de previdência, com investimentos que não estavam protegidos pelo FGC.
O Fundo Garantidor de Crédito começou a pagar os credores do Master, ao limite de R$ 250 mil por CPF e CNPJ, nesta segunda-feira.
“É um problema do país”
Moreira criticou a ideia de que os prejuízos se limitam a quem decidiu investir no Banco Master. “Não é ‘investe quem quer’. Tem gente de 75 anos que não escolheu o Banco Master; foi o gestor do fundo que escolheu”, disse. Para ele, o caso é “um problema do país, dos brasileiros e das brasileiras”.
O economista também alertou para o impacto indireto sobre o setor público. Citou a possibilidade de aportes do governo do Distrito Federal ao Banco Regional de Brasília (BRB) por conta da exposição ao Banco Master. “Esse aporte é dinheiro de quem? É dinheiro de todo mundo. Todo mundo está pagando essa farra.”
Ele criticou ainda o modelo de cobertura do FGC, que garante rentabilidades elevadas prometidas pelos bancos. “Se o banco ofereceu 180% do CDI, o FGC não deveria garantir isso. Senão, uma promessa maluca acaba sendo paga por todo o sistema.”
Crédito, criação de dinheiro e risco sistêmico
Ao explicar o funcionamento do sistema bancário, Moreira ressaltou que bancos têm poder de “criar dinheiro do nada” por meio do crédito, o que amplia riscos quando há alavancagem excessiva. “Quando um banco quebra, começa a sumir dinheiro de tudo que é lugar e um monte de gente sofre.”
Ele classificou o Banco Master como “a ponta de um iceberg” e afirmou que novos fatos surgem diariamente. Segundo o economista, há tentativas de “frear” o avanço das investigações e pressões sobre instituições como a Polícia Federal e o Banco Central. “Se derrubarem a Polícia Federal nessa história, derrubam a investigação e acaba em pizza.”
Para Moreira, o escândalo expõe a necessidade de transparência e reformas estruturais. “O Brasil não precisa de heróis, precisa de república, de regras claras”, afirmou, ao defender que o debate vá além de disputas ideológicas e enfrente os problemas do sistema financeiro e institucional do país.
Assista à participação completa de Eduardo Moreira no vídeo abaixo:
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ICL Notícias




