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quinta-feira, 21 maio, 2026
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Articulação de Flávio para encontro com Trump acende alerta na ABIN e no Itamaraty

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Por Cleber Lourenço e Jamil Chade

 

A articulação de Flávio Bolsonaro para tentar uma agenda com Donald Trump nos Estados Unidos passou a ser acompanhada com preocupação por setores da inteligência e da diplomacia brasileira. Segundo apuração do ICL Notícias, servidores da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e integrantes do Itamaraty avaliam que, dependendo do formato e do protocolo adotado pela Casa Branca, um eventual encontro poderia ser interpretado como gesto de interferência externa no processo eleitoral brasileiro.

A preocupação ganhou força após a Reuters informar que Flávio Bolsonaro busca uma reunião com Donald Trump em Washington na próxima semana. Segundo a agência internacional, duas fontes familiarizadas com o assunto afirmaram que o senador brasileiro tenta construir uma agenda com o presidente norte-americano em meio à crise política provocada pelas revelações sobre sua relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e o financiamento do filme Dark Horse.

No Palácio do Planalto, membros da articulação política do governo afirmam que a orientação é acompanhar com atenção os movimentos do bolsonarismo junto ao governo norte-americano, principalmente a atuação do secretário de Estado Marco Rubio, considerado por integrantes do governo como um aliado político da extrema direita brasileira.

Reservadamente, integrantes do governo avaliam que o tema deixou de ser apenas uma movimentação de pré-campanha e passou a envolver preocupações relacionadas à soberania institucional e à influência internacional sobre o ambiente político brasileiro.

No círculo mais próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o risco de uma ingerência na eleição brasileira jamais foi descartado, mesmo com os encontros entre o brasileiro e Trump.

No Itamaraty, a possibilidade de um encontro é interpretada como uma manobra para abafar a crise instaurada na campanha bolsonarista, depois do vazamento de áudios entre Flávio e Daniel Vorcaro.

Diplomatas ouvidos pela reportagem afirmam que o ponto mais delicado não seria necessariamente a reunião em si, mas a forma como ela poderia ocorrer. A avaliação é que, dependendo do protocolo adotado pela Casa Branca, do nível de formalidade da agenda e da eventual utilização política do encontro, o gesto poderia ser interpretado como uma tentativa de ingerência no processo eleitoral brasileiro.

Entre os pontos que geram preocupação estão uma eventual fotografia oficial na Casa Branca, manifestações públicas de apoio político, tratamento institucional diferenciado ou qualquer gesto que possa ser interpretado como chancela eleitoral internacional.

A leitura dentro da diplomacia brasileira é que encontros entre lideranças estrangeiras e pré-candidatos fazem parte do jogo político internacional. O problema, segundo interlocutores ouvidos pela reportagem, surge quando essas agendas passam a ser utilizadas como instrumento de pressão política interna ou como mecanismo de influência sobre a disputa eleitoral de outro país.

Nos bastidores da ABIN, o episódio também dialoga diretamente com alertas já formalizados pela própria agência. Em relatório público divulgado no fim do ano passado, a inteligência brasileira apontou a interferência externa como um dos riscos ao processo democrático e eleitoral brasileiro.

O documento menciona ameaças relacionadas à influência internacional sobre o debate público, campanhas coordenadas de desinformação, uso político de redes digitais e tentativas de desestabilização institucional.

Segundo servidores da agência ouvidos reservadamente pela reportagem, a movimentação envolvendo Flávio Bolsonaro passou a ser vista como tema de atenção justamente por ocorrer em um cenário já considerado sensível pela inteligência brasileira.

Mesmo enfrentando limitações orçamentárias e redução de recursos, integrantes da ABIN afirmam que os desdobramentos da articulação precisarão ser acompanhados para avaliar se haverá algum impacto concreto sobre o ambiente político e democrático brasileiro.

A preocupação não envolve apenas a realização da reunião, mas principalmente os possíveis efeitos políticos e simbólicos que ela pode produzir em meio à disputa presidencial de 2026.

Durante conversa com jornalistas nesta quinta-feira (21), Flávio Bolsonaro negou que tenha solicitado uma reunião com Trump. Questionado sobre o tema, o senador afirmou em inglês que “ninguém pediu nada” e disse que questionamentos sobre a agenda deveriam ser feitos diretamente à Casa Branca.

Até o momento, o governo norte-americano não confirmou oficialmente o encontro.





ICL Notícias

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