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domingo, 15 fevereiro, 2026
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Alta da Selic pressiona juros do crédito

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A taxa média de juros cobrados pelos bancos subiu 0,8 ponto percentual em outubro, alcançando 46,3% ao ano, o maior patamar desde julho de 2017, segundo dados do Banco Central divulgados nesta quarta-feira (26).

A elevação acompanha o alto nível da taxa Selic, fixada em 15% ao ano, a mais alta em quase 20 anos, em uma tentativa de conter a inflação.

Conforme o relatório do Banco Central, os juros ficaram da seguinte maneira:

Empresas: A taxa média subiu de 24,2% para 25,2% ao ano, o maior nível desde julho de 2017.

Pessoas físicas: Passou de 58,3% para 58,7% ao ano, o maior desde junho deste ano.

Cheque especial: Leve queda para 139,3% ao ano, mas ainda é uma das linhas de crédito mais caras.

Cartão de crédito rotativo: Recua para 439,8% ao ano, permanecendo em patamar proibitivo.

Analistas recomendam que clientes paguem integralmente o valor da fatura do cartão de crédito para evitar o acúmulo de juros elevados.

Crédito em alta, mas com maior risco

O volume total de crédito bancário subiu 0,9% em outubro, alcançando R$ 6,9 trilhões.

  • Crédito às pessoas jurídicas: R$ 2,6 trilhões (+0,3%)
  • Crédito às pessoas físicas: R$ 4,3 trilhões (+1,3%)

Entre as modalidades que mais cresceram nos últimos 12 meses estão:

  • Crédito consignado do setor privado: +9,6%
  • Cartão de crédito total: +2,2%
  • Crédito pessoal não consignado: +2,1%
  • Financiamento de veículos: +1,4%

Inadimplência e endividamento em níveis históricos

O aumento das taxas de juros impacta diretamente o endividamento das famílias, que atingiu 49,1% da renda acumulada nos últimos 12 meses, o maior nível desde novembro de 2022.

A inadimplência média também atingiu patamar recorde de 4%, considerando operações com recursos livres e direcionados.

  • Pessoas físicas: 4,9% (maior desde fevereiro de 2013)
  • Empresas: 2,5% (estável, mas próximo do pico recente)

O BC alerta que o aumento das operações problemáticas é especialmente evidente no crédito rural, com perspectiva negativa para os próximos meses.

O cenário evidencia o efeito direto da taxa Selic elevada sobre o crédito no país. Enquanto os bancos ajustam seus juros para acompanhar o custo do dinheiro, as famílias enfrentam maior endividamento e inadimplência, refletindo o impacto da política monetária sobre o bolso do consumidor.



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