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sexta-feira, 6 março, 2026
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Agronegócio brasileiro busca alternativas diante do fechamento do Estreito de Ormuz

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O fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passaram mais de 95 mil contêineres de frango brasileiro no ano passado, tem levado exportadores do agronegócio a reorganizar sua logística. Após o ataque de Israel e Estados Unidos ao Irã, armadores suspenderam temporariamente a oferta de novos contêineres para produtos brasileiros, mas, desde terça-feira passada (3), novas alternativas começaram a ser viabilizadas. Atualmente, cerca de 5 mil toneladas de frango são enviadas diariamente à região.

Informações da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) mostram que algumas companhias marítimas já começaram a buscar novas rotas e que parte das embarcações que já deixaram o Brasil podem enfrentar redirecionamentos ou permanecer em armazéns, uma vez que a carga está congelada. Por ora, segundo a entidade, não há mudanças significativas.

Ainda e acordo com a entidade, em fevereiro, as exportações brasileiras de carne de frango (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 493,2 mil toneladas, superando em 5,3% o total embarcado no mesmo período do ano passado (468,4 mil toneladas).

No ano, a alta acumulada chega a 4,5%, com 952,3 mil toneladas embarcadas no primeiro bimestre deste ano, contra 911,4 mil toneladas no mesmo período do ano passado. Em receita, o crescimento comparativo é de 7,2%, com US$ 1,819 bilhão em 2026, contra US$ 1,696 bilhão nos dois primeiros meses de 2025. É o melhor desempenho já registrado no período, tanto em volume quanto em receita.

Dos principais destinos, estão a China, que reassumiu a liderança, seguida por Emirados Árabes Unidos, Japão e Arábia Saudita, nas quatro primeiras colocações. Isso mostra o quanto o Estreito de Ormuz é importante no comércio de carne de frango para o Brasil.

Para facilitar a logística das exportações brasileiras, o Ministério da Agricultura se dispôs a colaborar com alterações na documentação de destino, quando necessário.

Alternativas logísticas em estudo

Entre as rotas já utilizadas, destaca-se o trajeto pelo Estreito de Bab al-Mandab, entre Iêmen e Djibouti, que permite acesso ao Mar Vermelho e à costa leste da Arábia Saudita. Outra alternativa combina transporte marítimo e terrestre: a carga é desembarcada em Omã, no Porto de Salalah, e transportada por caminhões refrigerados até Dubai.

Um terceiro caminho envolve o porto de Khorfakkan, na costa leste dos Emirados Árabes Unidos, que permite entregar mercadorias antes do Estreito de Ormuz. Essas alternativas refletem a flexibilidade necessária para manter a presença brasileira no mercado do Oriente Médio diante de conflitos geopolíticos.

O Oriente Médio é um mercado essencial para o frango brasileiro: a Arábia Saudita importa mais da metade do produto que consome do Brasil, enquanto os Emirados Árabes Unidos e a Jordânia absorvem 74% e 90%, respectivamente, do frango exportado pelo país. No total, os 12 países da região atendidos pelo Brasil (excluindo o Irã) consomem mensalmente entre 100 mil e 120 mil toneladas, equivalentes a cerca de 15% da produção nacional.

Ormuz hoje: economia do medo em versão 2.0

A geometria política mudou: nos anos 1980, o foco era EUA-Golfo; hoje, a Ásia — especialmente a China — é o maior “refém econômico”, dado seu alto consumo de energia e dependência do tráfego pelo Golfo.

Quatro décadas depois, o roteiro se repete, mas com tecnologia avançada. O Estreito de Ormuz entrou no noticiário como um “mercado em estresse”: dezenas de navios retidos e ameaças atribuídas à Guarda Revolucionária do Irã geraram queda abrupta do tráfego, recuo de seguradoras e tarifas recordes de afretamento, com superpetroleiros atingindo US$ 424 mil/dia para trajetos à China.

Drones, veículos não tripulados e guerra eletrônica se somam às minas e mísseis clássicos. Sistemas de rastreamento aumentam a transparência, mas também tornam a interrupção mais visível e contagiosa, afetando mercados em tempo real.

Como se vê, em apenas sete dias de conflito, os impactos já começam a ser sentidos. A depender de quanto tempo mais perdure, a conta deve ficar cada vez mais salgada.

 





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