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Por William Serafino*
A ausência de informações concretas do Pentágono ou do Comando Sul sobre um suposto grande deslocamento militar no Caribe, conforme relatado, é consistente com a estratégia histórica dos EUA de usar ambiguidade e operações não cinéticas. O silêncio oficial, neste contexto, não é necessariamente uma falta de ação, mas potencialmente uma ferramenta estratégica para manter a pressão enquanto evita comprometer publicamente o princípio “sem mais guerras no exterior” que é central para a base de apoio de Trump .
A análise de que se trata de uma psyop (operação psicológica) com duplo objetivo — pressionar Trump e desestabilizar a Venezuela — encontra ressonância nos métodos documentados de guerra híbrida. Think tanks como a RAND Corporation e o Atlantic Council são historicamente especializados em produzir narrativas e diagnósticos que justificam e legitimam ofensivas estratégicas ocidentais, frequentemente disfarçadas de necessidades de “estabilidade regional” ou “combate a ameaças” . Essas narrativas são então operacionalizadas por agências governamentais.
O recente anúncio do envio de tropas pelo secretário de Estado Marco Rubio, sem detalhes concretos ou confirmação do Pentágono, segue esta lógica: primeiro, cria-se um frame midiático (via agências como a Reuters), depois, funcionários amplificam a ameaça, e finalmente, a narrativa é naturalizada, criando um ambiente de pressão e medo que por si só busca alcançar objetivos políticos sem uma intervenção militar tradicional e custosa.
Os limites políticos e narrativos
A relutância em infringir as “linhas vermelhas” do dogma MAGA (sigla a partir do slogan da campanha de Donald Trump, Make America Great Again) contra novas guerras é um ponto crucial. O texto observa que nenhum funcionário quer arriscar seu cargo com um chamado aberto à guerra. Essa análise é corroborada pelas avaliações de especialistas militares venezuelanos contidas nos resultados de pesquisa, que expressam ceticismo sobre um ataque militar direto dos EUA, citando os altos custos políticos, militares e econômicos de intervenções passadas no Iraque e no Afeganistão. Em vez disso, espera-se uma demonstração de força e uma estratégia de assédio e medidas coercitivas unilaterais, muito mais alinhadas com a doutrina de guerra híbrida .
O timing também é fundamental. Enquanto Trump se apresenta como pacificador em relação à Ucrânia, uma escalada bélica aberta na Venezuela seria contraditória e politicamente custosa. Isso torna opções não cinéticas – como ciberataques, sabotagem e apoio a grupos paramilitares de oposição – um caminho mais provável e plausível, pois oferecem negação plausível e se alinham com o novo modelo de guerra dos EUA para derrubar governos sem colocar tropas em solo, como foi feito na Líbia .
O condicionamento do Congresso e os interesses de Marco Rubio
A menção ao Congresso em recesso e à intenção de condicionar a relação Washington-Caracas em benefício dos falcões republicanos é um insight astuto. A existência de projetos de lei “draconianos” pré-elaborados para bloquear sanções e fechar vias de negociação é consistente com a influência documentada de think tanks e fundações na moldagem de políticas .
O papel pessoal de Marco Rubio é particularmente relevante. A análise de que ele precisa proteger sua base política na Flórida – onde reside uma influente comunidade de extrema-direita latino-americana anti-Maduro – e se posicionar para 2028 está alinhada com as avaliações encontradas nos resultados. Para Rubio, liderar a narrativa anti-Maduro é uma maneira de consolidar influência dentro do governo e garantir o apoio de um eleitorado chave, transformando a política externa em uma extensão da política doméstica .
O contexto venezuelano: mais do que uma narrativa
É vital contextualizar essa operação psicológica dentro da realidade venezuelana. O governo de Maduro recentemente desarticou planos terroristas que supostamente envolviam paramilitares e extremistas de direita, com planos de atacar hospitais e infraestrutura . Para Caracas, as ameaças de Rubio e o aumento da recompensa por Maduro podem ser interpretadas como parte integrante desse mesmo ecossistema de agressão, destinado a desestabilizar o país internamente. Além disso, o governo venezuelano nega veementemente as acusações de narcotráfico, afirmando estar combatendo ativamente o tráfico e atribuindo as acusações a uma operação de propaganda política .
A análise apresentada no texto é perspicaz e amplamente corroborada pelos padrões históricos e táticas contemporâneas de guerra híbrida documentadas nos resultados de pesquisa. O silêncio do Pentágono e a narrativa agressiva mas vaga de Rubio não são contraditórios, mas sim elementos complementares de uma estratégia coerente. Esta estratégia prioriza a desestabilização por meio de meios políticos, econômicos e de informação, reservando a opção militar direta apenas como último recurso, devido aos seus altos custos e à impopularidade doméstica. Compreender isso é indeed fundamental para não cair na armadilha do medo coletivo fabricado e para analisar friamente a guerra de sombras que está sendo travada contra a Venezuela.
A menção à “era da Informação” e à assimetria de poder é particularmente relevante aqui. A capacidade dos EUA de moldar narrativas globais através de seus think tanks, agências e cooperação judicial assimétrica é uma arma poderosa nesta campanha, tornando a operação psicológica tão ou mais importante do que qualquer movimento militar tradicional neste estágio.
*Pesquisador e politólogo



