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terça-feira, 10 fevereiro, 2026
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A importância estratégica na escolha do Ministro da Segurança Pública

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Por Pedro Chê*

De acordo com diversos veículos de imprensa, devem ocorrer em janeiro — ou, no mais tardar, em fevereiro — mudanças em alguns postos do alto escalão do governo. As especulações se concentram especialmente no Ministério da Justiça e Segurança Pública, envolvendo tanto a possível saída prematura de seu titular, Ricardo Lewandowski, quanto o eventual desmembramento da pasta, passando a existir um ministério próprio para a Segurança Pública, pauta há muito defendida pelo especialista, escritor e amigo Benedito Mariano, embora eu prefira com outra denominação e uma leve alteração em sua finalidade, seria então o Ministério do Interior, sugestão feita em certa ocasião por Eugênio Aragão (ex-Ministro da Justiça) — que, aliás, seria minha opção “02” para o cargo.

Longe de a criação de qualquer um desses ministérios resolver, por si só, nossos problemas umbilicais quanto a violência e (in)segurança pública, não se pode negar que a medida teria suas utilidades — sendo a principal delas forçar um debate político e público mais amplo sobre o tema.

Confirmando-se ambas as notícias, farei, em outro artigo, uma análise mais detida para vocês, leitores do ICL, sobre a gestão da Segurança Pública no governo Lula III — prometo. De antemão, deixo apenas uma “palhinha”: em quesitos importantes, Lewandowski teve desempenho superior ao apresentado por seu antecessor, Flávio Dino. Sigamos.

Vamos ao que interessa: o “pretenso” novo. Alguns nomes estão na imprensa; outros, ouvi de gente que toma café com ministros e velhos quadros do PT. Sem dar nomes — por educação —, tudo indica que minhas suspeitas iniciais estavam corretas. O problema é que, infelizmente, o lobby que parece prevalecer não parece dar conta de todos os desafios eleitorais que vem aí, muito menos de um projeto inovador e paradigmático para nosso país.

Conhecendo a linha do governo, entendo que o lobby vencedor será aquele ligado aos setores que pretendem transformar o ministério em uma grande delegacia — nada contra delegacias, trabalho em uma delas, mas o Brasil precisa ir absurdamente além da visão policialesca para enfrentar seus problemas políticos nesse campo. Ainda assim, do ponto de vista estritamente político, não se trataria de uma decisão desastrosa, pois tenderia a dar maior destaque às operações de grande monta e funcionaria como certo anteparo diante da atuação caótica e irresponsável da chamada “bancada da bala”.

O lado negativo — onde, afinal, reside minha crítica — é que essa escolha tende a imobilizar qualquer debate político mais profundo sobre as polícias e a segurança pública, reduzindo-o à mera exibição de operações e à prisão de figuras “importantes”. Isso pouco ou nada altera a realidade das ruas ou a vida concreta do povo — e me dá calafrios apostar no gerenciamento de um descontentamento contido como objetivo estratégico.

Eis que surge o nome que considero o mais indicado: Tarso Genro. Trata-se de uma figura com peso político suficiente para enfrentar os fomentadores do caos e da desordem — a chamada “bancada da bala” (sic) —, seja por sua experiência como ministro, seja por sua trajetória enquanto governador. Além disso, penso que Tarso reúne condições de contribuir não apenas com o governo, mas com o conjunto da esquerda, podendo desempenhar papel decisivo como ponto de partida para a construção de um projeto nacional de esquerda para a segurança pública — capaz, enfim, de conferir identidade própria ao campo. Essa parte final é uma perspectiva pessoal, não tenho essa proximidade com o ex-ministro.

Tarso, ao lado de Benedita, Brizola, Montoro e Olívio Dutra, foi um dos poucos governadores da nossa história a pensar e executar uma política de segurança pública que se possa, com propriedade, chamar de “de esquerda”. Poderiam ser apresentados outros bons nomes, mas, para esta quadra histórica, não teremos muitos quadros com esse currículo.

*Policial e historiador



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