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quinta-feira, 23 julho, 2026
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Aliados de Flávio Bolsonaro temem operação da PF após decisão de Mendonça

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Por Cleber Lourenço

A decisão do ministro do STF André Mendonça de autorizar a abertura de um inquérito relacionado ao caso Dark Horse acendeu um sinal de alerta no entorno da campanha do senador Flávio Bolsonaro. Segundo apurou a reportagem, aliados do parlamentar passaram a trabalhar com a possibilidade de que a Polícia Federal realize, nas próximas semanas, operações de busca e apreensão envolvendo Flávio ou pessoas próximas a ele.

O temor não decorre apenas da abertura formal da investigação, mas principalmente da forma como ela foi instaurada.

Nos bastidores, integrantes da campanha avaliam que o elemento mais preocupante da decisão de Mendonça é o fato de o inquérito ter sido aberto a partir de um pedido da própria Polícia Federal, posteriormente acolhido pela Procuradoria-Geral da República, e não em razão da notícia de fatos apresentada pelo deputado federal Lindbergh Farias.

Na leitura de aliados de Flávio Bolsonaro, isso significa que a Polícia Federal já vinha acompanhando o caso, reunindo informações e produzindo elementos suficientes para justificar a abertura da investigação.

A avaliação predominante é que as investigações não estão começando agora, pelo contrário. O entendimento é de que a instauração do inquérito apenas formaliza um trabalho investigativo que já estaria em curso e que, justamente por isso, novas diligências podem ocorrer em um intervalo relativamente curto.

Período eleitoral

A preocupação é que uma eventual operação policial aconteça justamente durante o período eleitoral, criando um fato político de grande repercussão em um momento considerado decisivo para a campanha presidencial.

Aliados admitem que uma busca e apreensão contra Flávio Bolsonaro ou pessoas ligadas à campanha teria potencial para aprofundar o desgaste de uma candidatura que já enfrenta dificuldades para ampliar alianças políticas e tenta superar sucessivas crises internas.

Além dos problemas políticos, o entorno do senador também teme que novos desdobramentos reforcem, perante a opinião pública, a associação entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master e personagem central das investigações relacionadas ao caso Dark Horse.

Embora não exista, até o momento, qualquer decisão judicial autorizando futuras medidas cautelares, a percepção entre aliados é de que o avanço da investigação torna essa possibilidade concreta e aumenta a pressão sobre a campanha.

Acuado por crises, Flávio pede união da direita

Em meio ao aumento da pressão política e jurídica, Flávio Bolsonaro divulgou nesta quinta-feira (23) um vídeo em que faz um apelo público pela reunificação da direita e tenta reconstruir pontes com aliados após semanas de conflitos internos.

A manifestação ocorre justamente em um momento particularmente delicado para sua candidatura. Além da abertura do inquérito autorizada por André Mendonça, o senador acumula uma sequência de crises políticas que fragilizaram sua campanha nas últimas semanas.

No vídeo, Flávio dirige sua principal mensagem à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, reconhece seu papel dentro do bolsonarismo e afirma que divergências internas não podem se sobrepor ao objetivo eleitoral.

“O momento exige união. O que nos une é muito maior do que qualquer diferença”, afirma o senador.

Em outro trecho, Flávio admite erros e faz um pedido público de desculpas.

“Ninguém é perfeito. Eu não sou perfeito. E mais uma vez peço desculpas por alguns momentos que causaram desconforto.”

O senador também pede que a militância interrompa os ataques internos e afirma que as divisões vêm sendo exploradas por adversários políticos.

“Não vamos transformar essa situação em mais motivos de ataques que podem ser explorados contra nós mesmos. Vamos evitar qualquer divisão.”

O discurso representa uma tentativa de reduzir a temperatura de uma sucessão de conflitos que marcaram a campanha nas últimas semanas. Entre eles estão os desgastes públicos com Michelle Bolsonaro, os embates envolvendo a deputada Silvia Waiãpi, além das divergências entre o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, durante as negociações políticas.

A campanha também sofreu um revés importante com a decisão de União Brasil e Progressistas de permanecerem neutros na disputa presidencial, recusando, ao menos por enquanto, declarar apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. A postura das duas legendas reduziu as perspectivas de ampliação da coalizão eleitoral e evidenciou as dificuldades do senador em unificar o campo da direita.

Agora, a esse cenário de isolamento político soma-se uma nova preocupação: a possibilidade de que o avanço das investigações relacionadas ao caso Dark Horse produza novos fatos de grande repercussão durante a campanha eleitoral.

Nos bastidores, aliados reconhecem que a combinação entre crises políticas, dificuldades para consolidar alianças e a expectativa por possíveis desdobramentos da investigação representa um dos momentos mais delicados enfrentados pela candidatura desde o início da corrida presidencial.





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