Queda dos homicídios contrasta com alta incidência de roubos de celulares e avanço das fraudes digitais no estado
O Amazonas registrou redução nas Mortes Violentas Intencionais (MVI) em 2025, acompanhando a tendência nacional de queda da violência letal. O resultado coloca o estado fora do grupo das sete unidades da federação que apresentaram aumento nesse indicador ao longo do ano. Apesar da melhora, os números revelam que os desafios da segurança pública permanecem relevantes, principalmente em Manaus, que figura entre as cidades brasileiras com as maiores taxas de roubo e furto de celulares. O cenário evidencia uma transformação no perfil da criminalidade, marcada pela redução dos homicídios e pela expansão dos crimes patrimoniais e digitais.
Os dados reforçam que a violência no Brasil não desapareceu, mas mudou de características. Enquanto os assassinatos diminuem em diversas regiões do país, crimes como estelionato eletrônico, golpes financeiros e furtos de aparelhos celulares assumem protagonismo nas estatísticas policiais. No caso do Amazonas, essa realidade se soma às particularidades geográficas do estado, considerado estratégico para o narcotráfico internacional.
Redução das mortes violentas representa avanço, mas exige cautela
A diminuição das Mortes Violentas Intencionais representa um indicador positivo para o Amazonas. A redução acompanha a tendência nacional observada em 2025, quando o Brasil registrou a menor taxa de mortes violentas desde 2012.
O resultado demonstra avanços nas políticas de enfrentamento à violência letal, embora especialistas alertem que a leitura dos dados deve ser feita com cautela. A queda dos homicídios não significa necessariamente que a sensação de insegurança tenha diminuído entre a população.
Em estados da Região Norte, como o Amazonas, fatores estruturais continuam influenciando os índices criminais. A presença de organizações criminosas, as disputas territoriais e a dificuldade de fiscalização em áreas de fronteira continuam exercendo pressão sobre os indicadores de segurança.
Além disso, a dinâmica da violência passou por mudanças importantes nos últimos anos. Crimes que antes tinham menor impacto estatístico passaram a ocupar espaço significativo nas ocorrências registradas pelas forças policiais.
Manaus aparece entre as cidades com mais roubos de celulares
Embora a violência letal tenha diminuído, Manaus continua enfrentando elevados índices de criminalidade patrimonial.
O levantamento nacional aponta que a capital amazonense ocupa a sétima posição entre os municípios brasileiros com maiores taxas de roubo e furto de celulares. Em 2025, foram registrados 1.107,1 aparelhos subtraídos para cada 100 mil habitantes.
O número evidencia um problema recorrente nas grandes cidades brasileiras. O telefone celular deixou de representar apenas um objeto de valor comercial e passou a concentrar informações pessoais, aplicativos bancários, documentos digitais e sistemas de autenticação financeira.
Essa mudança aumentou o interesse de grupos criminosos, que frequentemente utilizam os aparelhos roubados para acessar contas bancárias, realizar transferências, contratar empréstimos e aplicar golpes virtuais.
O impacto para as vítimas vai muito além da perda material. Em muitos casos, os prejuízos financeiros decorrentes das fraudes superam o valor do próprio equipamento.
Crescimento das fraudes redefine o perfil da criminalidade
Outro dado que chama atenção é o crescimento expressivo do estelionato em todo o país.
Com mais de 2,2 milhões de registros, o crime tornou-se o principal delito patrimonial brasileiro. Desde 2018, o aumento das ocorrências se aproxima de 430%, refletindo a digitalização das relações financeiras e o crescimento das transações eletrônicas.
Golpes aplicados por aplicativos de mensagens, redes sociais, falsas centrais de atendimento, clonagem de contas e engenharia social passaram a fazer parte da rotina das autoridades policiais.
Essa mudança demonstra que a criminalidade também acompanha a evolução tecnológica. Se antes a violência estava fortemente associada ao uso de armas e confrontos físicos, atualmente grande parte dos prejuízos ocorre em ambientes digitais.
Especialistas avaliam que esse novo cenário exige investimentos não apenas em policiamento ostensivo, mas também em inteligência policial, segurança cibernética e campanhas permanentes de conscientização da população.
Violência muda de perfil no Brasil
A redução das mortes violentas não significa que o país esteja menos violento em todos os aspectos.
Enquanto os homicídios apresentam tendência de queda, outros indicadores seguem em crescimento.
Os feminicídios continuam aumentando em diversas regiões brasileiras, revelando que a violência de gênero permanece como um dos principais desafios da segurança pública.
Outro indicador preocupante é a letalidade policial, que atingiu o maior patamar da série histórica, alimentando debates sobre uso da força, treinamento policial e políticas públicas voltadas para o enfrentamento da violência.
Paralelamente, as fraudes eletrônicas continuam crescendo em ritmo acelerado, exigindo atualização constante das estratégias de investigação e prevenção.
Esses fatores demonstram que a segurança pública brasileira vive um processo de transformação, no qual os desafios deixam de estar concentrados exclusivamente na violência armada.
Amazonas permanece estratégico para o narcotráfico internacional
Mesmo com a redução dos homicídios, o Amazonas continua ocupando posição estratégica nas rotas internacionais do tráfico de drogas.
A extensa faixa de fronteira com Peru, Colômbia e Venezuela transforma o estado em um dos principais corredores utilizados para a entrada de cocaína no território brasileiro.
Essa condição favorece a atuação de organizações criminosas que disputam o controle das rotas fluviais e terrestres utilizadas para o transporte de entorpecentes.
As disputas entre facções continuam sendo um dos principais fatores associados à violência na Região Norte.
Embora ações das forças de segurança tenham contribuído para reduzir parte dos índices de homicídios, especialistas afirmam que o combate ao crime organizado depende de estratégias integradas entre estados, governo federal e cooperação internacional.
Sem o fortalecimento da fiscalização nas fronteiras e investimentos em inteligência, a tendência é que o narcotráfico continue exercendo forte influência sobre a dinâmica da criminalidade regional.
Segurança pública exige resposta multidimensional
Os indicadores de 2025 mostram que o Amazonas apresenta avanços importantes na redução da violência letal. Entretanto, a persistência de elevados índices de roubos de celulares, o crescimento dos crimes digitais e a influência das organizações criminosas revelam que os desafios permanecem complexos.
A criminalidade mudou de perfil e exige respostas igualmente modernas. Investimentos em tecnologia, integração entre órgãos de segurança, fortalecimento da inteligência policial, combate às organizações criminosas e políticas de prevenção continuam sendo elementos fundamentais para consolidar a redução da violência.
Mais do que reduzir homicídios, o desafio passa a ser garantir que a população também perceba melhorias concretas em sua segurança cotidiana, seja nas ruas, em casa ou no ambiente digital.



