O governador do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), admitiu nesta semana a existência de atrasos nos pagamentos ligados à área da saúde pública estadual. A declaração foi feita durante entrevista coletiva concedida após o lançamento da Operação Mulher Segura.
Segundo o governador, o Estado já desembolsou mais de R$ 100 milhões para quitar débitos com médicos e organizações sociais responsáveis pela gestão de unidades hospitalares em Manaus. Apesar disso, reconheceu que ainda existem pendências financeiras e afirmou que a regularização depende da situação da arrecadação estadual.
De acordo com Roberto Cidade, as receitas do Amazonas sofrem influência direta das oscilações do dólar, fator que impacta a capacidade financeira do governo.
O governador afirmou que a equipe econômica e a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) estão realizando um levantamento detalhado para identificar todas as pendências existentes e buscar soluções para os atrasos.
A declaração ocorre em meio às reclamações de profissionais da saúde que denunciam atrasos salariais em hospitais, SPAs e UPAs da capital. Nas últimas semanas, médicos relataram estar há meses sem receber pelos serviços prestados em unidades da rede pública estadual.
Durante a coletiva, Roberto Cidade também afirmou que tem realizado reuniões com empresas médicas e representantes da categoria para discutir alternativas e garantir maior estabilidade ao sistema de saúde.
O governador disse ainda que continuará cobrando das organizações sociais o cumprimento das obrigações financeiras com os profissionais que atuam nas unidades hospitalares administradas por essas entidades.
Outro tema abordado foi a recente mudança no comando da Secretaria de Saúde. Segundo ele, a pasta passa por um processo de reorganização administrativa devido à sua complexidade e importância dentro da estrutura do governo.
PEC gera debate
Paralelamente à discussão sobre os atrasos na saúde, o governador encaminhou à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que autoriza, em caráter excepcional, a utilização de recursos do Fundo de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (FMPES) para custear despesas correntes da administração estadual até dezembro de 2026.
O fundo possui atualmente cerca de R$ 215 milhões. Segundo o governo, a medida foi motivada pela redução da arrecadação tributária registrada nos primeiros meses do ano e pela necessidade de garantir o funcionamento da máquina pública.
A proposta tem gerado debate entre parlamentares e setores econômicos, já que os recursos originalmente são destinados ao fortalecimento de micro e pequenas empresas no estado.
Enquanto isso, profissionais da saúde seguem cobrando a regularização dos pagamentos e aguardam que as medidas anunciadas pelo governo resultem na quitação dos débitos pendentes.
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