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segunda-feira, 10 agosto, 2026
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Brasil examina se embaixador de Trump teve papel em desinformação na eleição

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O governo brasileiro examina qual foi o papel de Daniel Perez, indicado pelos EUA para ser o embaixador de Trump em Brasília, no caso envolvendo a disseminação de desinformação sobre as supostas fraudes nas eleições americanas de 2020.

Naquele ano, Donald Trump foi derrotado nas urnas para Joe Biden. Mas passou a declarar de forma mentirosa que o sistema eleitoral americano e as empresas de tecnologia que prestavam serviços tinham permitido uma fraude. Uma das emissoras usadas para divulgar a desinformação foi a Newsmax.

Segundo documentos oficiais, Perez recebeu dinheiro em 2025 dessa emissora. O que não está claro é o papel do indicado para ser embaixador na defesa da atitude da empresa de mentir ao público americano sobre as urnas.

Na sexta-feira, Perez foi aprovado pelo Senado norte-americano para ocupar a embaixada americana no Brasil. Mas para que isso ocorra, o protocolo diplomático prevê que o país que o recebe – no caso o Brasil – terá de dar seu consentimento.

O processo pode levar meses. Mas o governo Trump usou essa nomeação para colocar pressão sobre o Brasil. Se o visto não for dado de forma imediata, a Casa Branca já avisou que irá ampliar as retaliações contra o governo Lula. Na semana passada, um primeiro recado já foi dado neste sentido, revogando em parte o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti.

No caso de Perez, o Itamaraty garante que o pedido está em exame. Fontes em Washington e Brasília, porém, admitiram ao ICL Notícias que um dos aspectos que está sendo avaliado é sua participação na defesa da Newsmax, empresa de comunicação ligada a Trump e à base mais radical do movimento MAGA.

No início de julho, o jornal norte-americano Miami Herald revelou que Perez havia submetido um documento ao Senado dos EUA em 12 de maio com todos seus vínculos e pagamentos com empresas privadas, uma exigência do processo de sua aceitação.

Perez, que até então era deputado estadual e ligado a nomes que faziam ponte com o bolsonarismo, indicou que recebeu dinheiro da emissora.

Em 2025, o canal de notícias pró-Trump que pagou US$ 67 milhões para encerrar um processo por difamação relacionado a alegações falsas sobre a eleição presidencial de 2020.

A Dominion, que abriu o processo em 2021, acusou a Newsmax de transmitir “mentiras comprovadamente falsas” sobre as urnas após a vitória do presidente Joe Biden, causando “danos econômicos devastadores” à empresa. A Newsmax também pagou US$ 40 milhões no ano passado para encerrar um processo por difamação movido por outra empresa de urnas eletrônicas, a Smartmatic.

Em seus ataques, Trump acusava a Dominion de ter ajudado a fraudar a eleição para favorecer o vencedor, Biden. As acusações apontavam para a suposta exclusão de votos até a influência indevida de seus oponentes políticos sobre a empresa. Nada disso, porém, era verdade.

Fontes diplomáticas confirmaram ao ICL Notícias que o caso “com certeza” entrou no radar do governo brasileiro para examinar Perez. Mais prudentes, outros membros do alto escalão em Brasília apontam que precisam avaliar se Perez fez declarações públicas sobre o tema e qual teria sido exatamente a natureza de seu trabalho para a Newsmax, antes de chegar a qualquer conclusão.

O juiz Eric Davis, do Tribunal Superior de Delaware, já havia julgado o caso e sentenciou que a Newsmax difamou a Dominion. As empresas, porém, optaram por chegar a um acordo milionário.

“Como advogado, tenho a capacidade de escolher o trabalho que realizo e de recusar qualquer tarefa que possa suscitar preocupações éticas, não apenas para mim, mas também para meu cliente”, disse Perez ao jornal Miami Herald, no começo de julho.

Em 2025, ele recebeu mais de US$ 1,1 milhão de seu trabalho como advogado com essas empresas privadas. Menos de 4% de sua renda veio de ser deputado estadual.

 

 





ICL Notícias

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