Por Cleber Lourenço
Uma das fintechs colocadas no centro da Operação Fluxo Oculto, nova fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28) pelo Ministério Público de São Paulo, manteve contratos com o governo de Goiás, comandado por Ronaldo Caiado, e também com estruturas ligadas ao Exército Brasileiro.
A empresa é a BK Bank, citada nas investigações sobre um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro associado ao PCC no setor de combustíveis. Segundo revelado pela Folha de S.Paulo, a fintech foi utilizada pelo governo de Goiás para operacionalizar programas sociais estaduais e movimentou cerca de R$ 1,36 bilhão entre 2021 e 2025.
Os recursos eram operados por meio da GoiásFomento, agência de fomento controlada pelo governo estadual. O contrato envolvia programas de transferência de renda e cartões de benefícios sociais voltados à população de baixa renda.
Após a operação e a divulgação das suspeitas envolvendo a fintech, o governo goiano afirmou que os contratos haviam sido firmados antes das investigações virem à tona e declarou que não realizou novas movimentações com a empresa após agosto de 2025.

Além do vínculo com o governo Caiado, a BK Bank também aparece associada a contratos e operações envolvendo órgãos públicos federais. Reportagens publicadas nesta semana apontam que a fintech manteve relações comerciais com estruturas como Correios, Serpro e Exército.
A nova fase da Operação Carbono Oculto mira empresas suspeitas de operar mecanismos financeiros usados para ocultar recursos ligados ao crime organizado, especialmente em operações do setor de combustíveis. O Ministério Público paulista e os investigadores sustentam que fintechs passaram a ser utilizadas para movimentações financeiras de alta complexidade, dificultando rastreamento e fiscalização.
A BK Bank aparece entre as empresas citadas no ecossistema investigado. O Banco Central registra a instituição como BK Instituição de Pagamento S.A., vinculada à FBK Holding.
As investigações também analisam o fluxo financeiro entre fintechs e empresas do setor de combustíveis apontadas como integrantes de esquemas de lavagem de dinheiro e evasão fiscal. Parte da apuração busca identificar se estruturas financeiras privadas foram usadas para pulverizar movimentações, fragmentar operações e dificultar o monitoramento de recursos.
A Operação Carbono Oculto já vinha investigando distribuidoras, operadores financeiros e empresas ligadas ao setor de combustíveis. A nova fase ampliou o foco sobre instituições de pagamento e fintechs que, segundo os investigadores, teriam papel estratégico na circulação dos recursos.
Até o momento, não há acusação formal contra o governo de Goiás ou contra os órgãos públicos que mantiveram contratos com a fintech. A investigação se concentra na atuação das empresas privadas e no fluxo financeiro analisado pelos investigadores.



