Os mercados globais recuam, nesta manhã de terça-feira (3), refletindo a escalada do conflito entre Irã e Estados Unidos, que reacendeu temores inflacionários e pressionou os preços do petróleo.
A tensão aumentou após declarações de um comandante da Guarda Revolucionária iraniana sobre o fechamento do Estreito de Ormuz, principal rota global de transporte de petróleo bruto. A ameaça de bloquear a passagem elevou a cotação da commodity e ampliou a volatilidade nos mercados internacionais.
Com o petróleo em alta, investidores reduziram apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve, o banco central estadunidense. O primeiro corte segue precificado para setembro, mas diminuíram as expectativas de reduções adicionais em 2026. O movimento ocorre em um ambiente já sensível, marcado por valuations elevados e incertezas sobre o impacto dos investimentos bilionários em inteligência artificial (IA).
No Brasil, a agenda econômica ganha destaque com a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre, cuja expectativa é de alta modesta de 0,1% na comparação trimestral e avanço de 1,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Também serão publicados os dados de janeiro do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
No exterior, o mercado acompanha ainda os números preliminares de inflação da zona do euro, com expectativa de alta de 1,7%.
No campo político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpre agenda em São Paulo ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em meio a discussões sobre o cenário eleitoral.
Brasil
O Ibovespa começou a segunda-feira (2) em tom pessimista, mas a situação foi se revertendo com o passar do dia. E, graças à Petrobras, uma das empresas de maior peso no principal indicador da Bolsa brasileira, o IBOV fechou o pregão com alta de 0,28%, aos 189.307,02 pontos, um ganho de 520,04 pontos.
As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) avançaram mais de 4,5% embaladas pela disparada do petróleo, que subiu mais de 6% como consequência do aumento das tensões no Oriente Médio. Outras petroleiras como Prio (PRIO3), Petroreconcavo (RECV3) e Brava Energia (BRAV3) foram no embalo. Por outro lado, a Vale (VALE3) caiu 0,35% e os bancos, que também têm peso no índice, fecharam mistos.
O dólar, por sua vez, subiu a R$ 5,166, alta de 0,62%; e os DIs subiram por toda a curva.
Europa
As bolsas europeias operam em forte queda, com a crise geopolítica no Oriente Médio no radar dos agentes. No campo macroeconômico da região, será divulgado o dado preliminar da inflação na zona do euro, que deve se manter em torno de 1,7% em fevereiro.
STOXX 600: -1,82%
DAX (Alemanha): -2,15%
FTSE 100 (Reino Unido): -1,46%
CAC 40 (França): -1,67%
FTSE MIB (Itália): -2,36%
Estados Unidos
Os índices futuros de Nova York também amanhecem com forte recuo, enquanto os investidores se preparam para uma série de dados macroeconômicos que serão divulgados no fim desta semana, entre os quais estão as vendas no varejo de janeiro, o relatório de emprego privado da ADP e o payroll, o relatório oficial de folhas de pagamento não agrícolas, acompanhado de perto pelo mercado.
Dow Jones Futuro: -1,37%
S&P 500 Futuro: -1,31%
Nasdaq Futuro: -1,59%
Ásia
Os mercados asiáticos fecharam com queda majoritária, com o conflito no Irã no radar dos agentes. Os mercados da Coreia do Sul despencaram mais de 7% com a retomada das negociações após um feriado nacional.
Shanghai SE (China), -1,43%
Nikkei (Japão): -3,06%
Hang Seng Index (Hong Kong): -1,12%
Nifty 50 (Índia): -1,24%
ASX 200 (Austrália): -1,34%
Petróleo
Os preços do petróleo operam em alta, ampliando os fortes ganhos da sessão anterior, com o conflito no Oriente Médio adentrando o seu terceiro dia. Teerã prometeu o fechamento total do Estreito de Ormuz, canal por onde passa cerca de 20% do petróleo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e atacou a embaixada americana em Riad com drones.
Petróleo WTI, +3,55%, a US$ 73,76 o barril
Petróleo Brent, +3,82%, a US$ 80,60 o barril
Agenda
Na zona do euro, será divulgada a inflação (dado preliminar) de fevereiro, com previsão de alta de 1,7%.
Por aqui, no Brasil, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS cancelou um dos dois depoimentos que estavam previstos para a segunda-feira (2). O advogado Cecílio Galvão, que recebeu R$ 4 milhões de associações acusadas de efetuar descontos ilegais em aposentadorias, foi alvo de um pedido de condução coercitiva da comissão, mas não foi encontrado pela Polícia Legislativa do Senado. Ele aparece em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) como destinatário de repasses da Associação de Amparo aos Aposentados e Pensionistas do Brasil (Ampaben) e da União Brasileira de Aposentados da Previdência (Unibap), apontadas como entidades envolvidas no esquema.
*Com informações do InfoMoney e Bloomberg



