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quarta-feira, 4 março, 2026
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jornalistas falam sobre produção do documentário durante o Despertar 2025

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Por Maria Clara Alcântara

No segundo dia do Despertar 2025, o público conseguiu aprender mais sobre o documentário “O Fim de Bolsonaro”, produção do Instituto Conhecimento Liberta (ICL) que reconstitui o julgamento histórico do ex-presidente no Supremo Tribunal Federal (STF).

O filme reúne provas, depoimentos e análises sobre os crimes que levaram à condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e liderança de organização criminosa.

O jornalista Maurício Arruda abriu a sessão relembrando sua chegada ao projeto, ainda durante as lives diárias da pandemia. Ele contou como conheceu Eduardo Moreira, a formação da equipe e a criação do estúdio do ICL. “A gente foi entendendo que não dava mais para fazer jornalismo do jeito tradicional. A construção foi coletiva, uma experiência de comunidade que se materializou em algo muito maior”, disse.

Três camadas de memória

Produzido em tempo recorde, o documentário foi descrito por sua equipe como um “bolo de três camadas”:

  1. Os jornalistas do ICL narrando os bastidores e a importância do julgamento;
  2. As imagens históricas, com trechos das sustentações orais, votos dos ministros e reações do plenário;
  3. A narrativa jornalística, que conecta provas, contexto político e os impactos do processo.

“Era preciso deixar um registro sólido, porque a história poderia se perder. A gente precisava contar como foi ver um ex-presidente condenado por tentativa de golpe, e a importância que isso tem para a democracia brasileira”, afirmou Arruda.

Condenação e simbolismo

O filme recupera momentos marcantes do julgamento, incluindo a leitura da denúncia contra Bolsonaro e os votos dos ministros. Em sua sustentação, a Procuradoria-Geral da República citou provas de que o ex-presidente planejava invalidar o resultado eleitoral de 2022, além de participar de reuniões para tramar a morte de autoridades, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice Geraldo Alckmin e o ministro

Alexandre de Moraes

A decisão final, com o voto da ministra Cármen Lúcia, foi celebrada no plenário e lembrada no documentário como o momento que selou o destino político de Bolsonaro. “Cármen Lúcia virou símbolo. Foi ela quem disse que não havia espaço para ditadores no Brasil”, comentou uma das participantes.

Entre lágrimas e aplausos

A plateia do Despertar 2025 se emocionou ao rever as imagens. “O filme é um registro para as próximas gerações, para que ninguém esqueça a violência e a tragédia que foram esses anos”, afirmou a jornalista Márcia Cunha.

Já a repórter Juliana Dal Piva, que cobriu o julgamento, destacou o esforço coletivo: “Foram dias intensos, virando madrugadas para transformar horas de vídeos em um documentário coeso. Foi uma das maiores experiências profissionais da minha vida”.

Márcia Cunha, diretora do documentário "O fim de Bolsonaro". Foto: ICL

Márcia Cunha, diretora do documentário “O fim de Bolsonaro”. Foto: ICL

O futuro da memória

A exibição encerrou com um chamado à continuidade: o ICL já prepara um livro e um podcast sobre o julgamento, além de novas investigações sobre os crimes cometidos pelo bolsonarismo.

“O filme não é um ponto final. É o início de um trabalho de memória que precisa seguir vivo, para que nunca mais se repita”, concluiu Arruda.





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