O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria discutido com o secretário de Guerra, Pete Hegseth, por causa da escassez de mísseis no arsenal americano e da condução do conflito com o Irã, segundo reportagem publicada pelo The Washington Post nesta quarta-feira (5). A Casa Branca e o Pentágono negaram a informação e afirmaram que Trump mantém confiança no secretário.
Segundo o jornal, que cita duas fontes com conhecimento da reunião, Trump repreendeu Hegseth durante um encontro do gabinete na última sexta-feira (31), após descobrir que os estoques de armamentos continuavam em níveis críticos. O presidente teria afirmado que acreditava que o problema já havia sido resolvido.
A reportagem afirma que a escassez de mísseis guiados de longo alcance e de interceptadores de defesa aérea foi um dos fatores que levaram Trump a desistir de novos bombardeios de grande escala contra o Irã. Dias antes, o presidente declarou que chegou a autorizar, mas cancelou, aquele que chamou de “o maior ataque desde a Segunda Guerra Mundial”, alegando a possibilidade de retomada das negociações. O governo iraniano, no entanto, nega qualquer diálogo com os Estados Unidos.
Ainda de acordo com o Washington Post, Hegseth atribuiu a falta de informações ao vice-secretário de Guerra, Stephen Feinberg. O episódio, segundo o jornal, evidencia o aumento da insatisfação de Trump com o secretário, que defendia uma ofensiva militar rápida contra o Irã.
A Casa Branca classificou a reportagem como “100% notícia falsa”. A porta-voz Karoline Leavitt afirmou que Trump mantém “total confiança” em Hegseth. O Pentágono também negou que o secretário tenha enganado o presidente ou responsabilizado o vice pela situação.
Na terça-feira (4), uma reportagem da Reuters informou que o Exército dos Estados Unidos utilizou “praticamente todo” o estoque de mísseis de precisão de longo alcance durante a guerra contra o Irã. Entre os armamentos estão os Sistemas de Mísseis Táticos (ATACMS) e os Mísseis de Ataque de Precisão (PrSM), considerados fundamentais para ataques de longa distância.
As fontes ouvidas pela agência não informaram quantas unidades ainda restam, mas a redução dos estoques levanta preocupações sobre a capacidade militar dos Estados Unidos diante de futuros conflitos. Analistas também apontam que esses armamentos seriam estratégicos em um eventual confronto com a China.



