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quinta-feira, 23 julho, 2026
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Violência no Amapá mantém estado no topo do ranking

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A violência no Amapá voltou a colocar o estado na primeira posição entre as unidades da federação com maior taxa de mortes violentas intencionais do país. O dado faz parte do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Embora o estado tenha reduzido em 6% a taxa de homicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial entre 2024 e 2025, os índices continuam acima da média nacional.

A taxa caiu de 45,2 para 42,5 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes. Ainda assim, o Amapá permaneceu na liderança do ranking brasileiro, evidenciando que a redução registrada não foi suficiente para alterar o cenário estadual.

Violência no Amapá concentra índices elevados em Macapá e Santana

Os dados mostram que a maior incidência de mortes violentas ocorreu em Santana, que registrou taxa de 47,1 casos por 100 mil habitantes em 2025. Em seguida aparece Macapá, com 36,1 mortes por 100 mil habitantes.

Embora Santana tenha reduzido seus índices em comparação com 2024, quando registrou 54,1 mortes por 100 mil habitantes, o município continua sendo o mais violento do estado.

Além disso, especialistas apontam que fatores como disputas entre organizações criminosas, vulnerabilidade social e dificuldades estruturais na segurança pública contribuem para a permanência desses indicadores.

Letalidade policial e feminicídios ampliam preocupação

Outro destaque do levantamento é que o estado lidera, pelo sétimo ano consecutivo, a taxa de mortes decorrentes de intervenção policial.

Em 2025, foram registradas 17,1 mortes provocadas por ações policiais para cada 100 mil habitantes, o maior índice do país. O dado reforça o desafio de reduzir a violência letal sem comprometer a atuação das forças de segurança.

Ao mesmo tempo, o anuário revelou um crescimento expressivo dos feminicídios. O Amapá registrou aumento de 347,7% na taxa desse tipo de crime, alcançando 2,2 vítimas por 100 mil mulheres. O percentual representa o maior avanço entre todos os estados brasileiros.

Além dos feminicídios, cresceram os registros de violência psicológica, perseguição (stalking), ameaças e descumprimento de medidas protetivas.

Infância e juventude também apresentam indicadores preocupantes

Os números relacionados às crianças e adolescentes também chamam atenção.

O Amapá registrou a segunda maior taxa nacional de mortes violentas entre jovens, com 9 casos por 100 mil habitantes. Além disso, o estado apresentou crescimento de 62,5% no número de adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas.

O levantamento ainda aponta 187,6 casos de maus-tratos por 100 mil habitantes, índice muito superior à média brasileira, que ficou em 77,4. Outro indicador preocupante é a taxa de 95 casos de abandono de incapaz por 100 mil habitantes, uma das mais elevadas do país.

Brasil reduz homicídios, mas enfrenta novos desafios

Enquanto o Amapá permanece na liderança do ranking da violência, o cenário nacional apresentou melhora nos indicadores de mortes violentas.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, o menor número desde o início da série histórica, em 2012. A taxa nacional caiu para 19,1 mortes por 100 mil habitantes.

Por outro lado, o país alcançou o maior número de feminicídios já registrado, com média de quatro mulheres assassinadas por dia em razão da condição de gênero. O estudo também identificou aumento das mortes decorrentes de intervenção policial, crescimento dos crimes contra mulheres, expansão dos registros de abuso sexual infantil na internet e avanço dos casos de bullying e cyberbullying.

Os dados reforçam que, apesar da redução dos homicídios em diversas regiões, o enfrentamento da violência continua sendo um dos principais desafios das políticas públicas de segurança no Brasil.

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