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terça-feira, 30 junho, 2026
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vídeo de Michelle acirra disputa no PL

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Um vídeo de 27 minutos publicado por Michelle Bolsonaro nas redes sociais deflagrou uma nova crise no clã Bolsonaro ao acusar Flávio Bolsonaro de desrespeitá-la como mulher e como liderança política. A disputa entre os dois é antiga, mas se acirrou desde que Flávio foi escolhido por Jair Bolsonaro como pré-candidato à presidência da República.

A ex-primeira-dama tem sido sistematicamente deixada de fora de palanques estaduais, enquanto o senador aposta em nomes de sua estrita confiança para liderar campanhas nos estados. Em Santa Catarina, Carol de Toni foi preterida no Senado para abrir espaço a Carlos Bolsonaro. No Ceará, a vereadora Priscila Costa, aliada de Michelle, pode perder sua vaga para o pai do bolsonarista André Fernandes, ligado ao grupo de Flávio.

Para discutir o episódio e seus desdobramentos eleitorais, o jornalista Fabio Pannunzio entrevistou, nesta segunda-feira (29), a professora Mayra Goulart, cientista política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenadora do Observatório do Conhecimento.

Michelle além do clã

Na avaliação de Goulart, a dinâmica interna da família não comporta o conceito tradicional de família política. “Olhem para Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Carlos (…) Alguém fala ‘é esse cara que me representa?’ Todos dependem do Jair”, afirmou. A exceção, segundo ela, é Michelle. “Ela tem o potencial de conquistar eleitores e, principalmente, eleitoras próprias, por ser a única realmente evangélica da família e conseguir falar essa linguagem de maneira nativa.”

A cientista política avalia que o movimento da ex-primeira-dama não mira tanto a candidatura presidencial em si, mas o controle do Partido Liberal, que abriga toda a família. “Me parece que ela está se movimentando para ter controle do PL, para conseguir eleger apoiadoras com vínculo direto de lealdade com ela. E é isso que o Flávio Bolsonaro está interditando.”

Antipetismo como piso eleitoral

Apesar de considerar que o episódio prejudica Flávio, Goulart faz uma ressalva importante. O antipetismo, na sua análise, ainda funciona como o principal estruturador do voto nas eleições presidenciais brasileiras. “Por mais que o eleitor não goste de Flávio Bolsonaro, quando perceber que ele é a única alternativa, votará nele para não votar no presidente Lula”, disse.

Ela lembra que o próprio Jair Bolsonaro utilizou esse argumento para criticar o vídeo de Michelle: “Ele falou que ela estava abrindo espaço para o PT, favorecendo o PT.” Para Goulart, essa retórica ainda funciona e deve conter parte do estrago eleitoral causado pela crise familiar.

Em relação aos eleitores indecisos, a professora pondera que esse grupo tem perfis distintos. Parte é composta por eleitores antipetistas insatisfeitos com as opções de voto em candidatos de oposição. Outra parcela está no campo progressista, mas também rejeita o PT. “Acho que boa parte desses indecisos vão votar por rejeição”, afirmou.

Flávio sem palanque

Um dos sinais mais concretos das dificuldades da candidatura de Flávio, segundo Goulart, é a escassez de apoios formais. Poucos governadores, prefeitos, vereadores e parlamentares manifestaram adesão. A composição da coligação eleitoral ainda não está definida e as convenções partidárias começam no próximo mês e vão até o dia 5 de agosto.

“Já estamos nas vésperas do período oficial de campanha e me parece que há, sim, uma carência de palanque”. Na avaliação de Mayra, os apoios locais têm um papel fundamental pois eleitores menos conectados com a política nacional podem responder as indicações de prefeitos e vereadores dos municípios.

O silêncio de Jair

Outro ponto analisado na entrevista foi o papel de Jair Bolsonaro nesse conflito. Para Goulart, o ex-presidente é hoje uma incógnita. Suas últimas aparições públicas foram marcadas por falas desconexas. “A gente não sabe como está cognitivamente Jair Bolsonaro. Ele tem sido um mito, uma imagem, uma ideia”, disse a professora.

Ela observa que esse silêncio tem um efeito ambíguo: ao mesmo tempo que fragiliza a liderança do clã, preserva Bolsonaro do desgaste. “Ele existindo como mito, como eminência, é algo tem um lado positivo, que ele não se desgasta”, reconheceu.

Sem tempo para substituição

Questionada sobre a possibilidade de uma troca de candidato antes das convenções, Goulart foi direta: não há alternativa de terceira via efetivamente apresentada. Caiado, Renан Santos e Zema são todos nomes de extrema direita, sem diferença substantiva em relação a Flávio. “Acho que não dá tempo de trocar e que não faria muita diferença, porque o que vai definir esse voto é o antipetismo”, concluiu.

Veja o programa na íntegra:





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