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sexta-feira, 16 outubro, 2026
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Vereador que articulou homenagem a Flávio em Salvador espalhou fake news durante a pandemia

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Por André Uzêda

Candidato à Presidência da República pelo PL, o senador Flávio Bolsonaro vai ser homenageado no próximo sábado (17) com o título de cidadão de Salvador concedido por sua Câmara Municipal.

A homenagem é assinada pela mesa diretora da Casa, em uma articulação do vereador declaradamente bolsonarista Cezar Leite (PL). No requerimento, a justificativa é que Flávio prestou relevantes serviços à sociedade brasileira no “fortalecimento de valores democráticos”.

Além da condecoração, os vereadores também conseguiram aprovar que a cerimônia não aconteça no prédio da Câmara e, sim, em cima de um trio elétrico, no Farol da Barra. Leite é quem fará a entrega da honraria para Flávio Bolsonaro. Durante o ato, estão previstos discursos e a presença da militância bolsonarista.

Desde 2016, com os pedidos de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), o Farol da Barra se consagrou como um espaço de manifestações políticas ligadas à direita e extrema direita na cidade. Em razão disso, os vereadores de oposição denunciam o caráter eleitoreiro da mudança do local da cerimônia.

Hoje colega de partido de Flávio Bolsonaro, Cezar Leite já divulgou notícias falsas e sugeriu tratamentos não reconhecidos pela ciência durante a pandemia da Covid-19, mesmo sendo médico formado pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), com especialidade em cirurgia vascular.

Em junho de 2020, quando já ocupava o cargo de vereador, Leite publicou em suas redes sociais um texto em que induzia a população a acreditar que a Câmara dos Deputados havia aprovado uma lei que permitia a invasão de domicílios para fiscalizar se os cidadãos estavam usando máscaras faciais em suas casas.

Na postagem, o vereador ainda indagava se “alguém duvida que vivemos num país socialista?” e dizia que não havia mais liberdade no Brasil, “e sim permissão”.

A mentira ganhou força nas redes e obrigou o portal da Câmara a desmentir a notícia. O próprio Leite se retratou momentos depois. “Excluí um twitter no qual houve uma votação sobre uso obrigatório de máscara em domicílio. Entendimento equivocado sobre o projeto, que cita áreas privadas de acesso público. Compromisso com a verdade e respeito à informação”, escreveu.

Ivermectina e ameaça de morte

Naquele mesmo ano, Cezar Leite concorreu à prefeitura de Salvador pelo PRTB, com apoio do Movimento Brasil Livre (MBL). Na convenção municipal do partido, o político se declarou bolsonarista e defendeu o uso da hidroxicloroquina e ivermectina como tratamento contra a Covid. Durante toda a pandemia, cientistas não reconheceram a eficácia destes medicamentos como método de prevenção ou de cura da doença.

Leite também se posicionou contra o isolamento social, recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como principal medida para impedir a circulação do vírus. 

Ironicamente, na campanha presidencial deste ano, o vereador acusou a “esquerda canalha” de produzir fake news por trazer a preocupação da Igreja Católica com a possível retirada do título de padroeira do Brasil à Nossa Senhora Aparecida.

“A esquerda usa dessas coisas para enganar a cabeça das pessoas. Isso não é de Deus. É de Satanás. Enganar é coisa de Satanás”, disse, em vídeo gravado no Instagram.

Também em suas redes sociais, Cezar Leite gravou um vídeo dizendo que tinha sido ameaçado de morte pela esquerda por ter dado o título de cidadão de Salvador a Flávio Bolsonaro. No vídeo, o vereador apresenta como provas das ameaças emojis de caveiras e um comentário escrito “balah e fogoh”.

Nas eleições deste ano, Leite concorreu a deputado estadual. Obteve 34.596 mil votos e não foi eleito. O vereador foi procurado para comentar a reportagem, mas não respondeu às ligações e mensagens. O espaço segue aberto para manifestação.

Ação popular e abaixo-assinado contra Flávio 

A concessão do título de Cidadão de Salvador ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro tem enfrentado resistência em ações na Justiça e abaixo-assinados criados na internet.

O ativista social Victor Queirós protocolou uma ação popular solicitando a suspensão da honraria. O argumento é que o projeto descumpre requisitos previstos no Regimento Interno do Legislativo de Salvador.

A norma estabelece que a entrega do título é destinada exclusivamente a personalidades que tenham prestado serviços de comprovada relevância para a cidade, o que, segundo Queirós, não se aplica no caso de Flávio Bolsonaro. 

“Essa é uma ação eleitoreira. A Câmara de Salvador presta um desserviço ao promover uma ação nesse nível. Salvador é a capital da resistência, a cidade que libertou o Brasil do colonialismo português, então conceder identidade soteropolitana a alguém que homenageia torturadores e ditadores é uma afronta à nossa própria história”, diz o ativista.

Um abaixo-assinado, com mais de 170 mil assinaturas, pede a revogação do título por acreditar que “Flávio Bolsonaro não representa o povo de Salvador de maneira justa e adequada”.

No texto, é dito ainda que “a concessão de títulos honoríficos deve ser cuidadosamente avaliada e reservada apenas para aqueles que verdadeiramente representam e defendem os valores e interesses da sociedade que servem”. E que o título dado a Flávio se assemelha à uma “manobra política em desacordo com a vontade do povo de Salvador”.

No primeiro turno das eleições presidenciais, Lula (PT) obteve 65,26% dos votos em Salvador, contra 27,03% de Flávio Bolsonaro (PL). O atual presidente ficou à frente de Flávio em todas as 19 zonas eleitorais da capital baiana.





ICL Notícias

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