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terça-feira, 10 fevereiro, 2026
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Venezuela diz que está pronta para combate com os EUA após Trump ameaçar com ofensiva terrestre

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Por Brasil de Fato

O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, afirmou que o país está pronto para o combate após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizer que as operações terrestres contra os venezuelanos devem iniciar em breve.

“Neste ano de 2025 nós estamos prontos, dispostos a dar resposta a qualquer agressão contra o povo da Venezuela, contra sua soberania, contra sua integridade territorial, e a Aviação Militar Bolivariana sabe que tem de golpear duro, onde tiver de golpear, e vencer”, disse o chefe da pasta.

“Não cometam o erro de atacar a Venezuela”, acrescentou. “Estamos dispostos a fazer qualquer coisa, a lutar, a morrer, mas nunca morreremos, vamos viver e vamos vencer.”

Padrino López também deu um recado aos governos da região que, em suas palavras, “se prestam ao jogo imperialista”. “Digo a esses chefes de governo pararem de agir contra o sentimento de seus povos, os povos da América Latina e do Caribe não querem guerra, querem paz, desenvolvimento e emergir no novo mundo que está nascendo, de igualdade e respeito entre as nações”, afirmou. A declaração pode ter sido direcionada à República Dominicana que, na quarta-feira (26), autorizou o uso de seu principal aeroporto pelos EUA.

O presidente Nicolás Maduro (Foto: Juan Barreto/AFP)

Nesta quinta-feira (27), Donald Trump, que utiliza o combate ao narcotráfico como justificativa para os ataques, afirmou que as ofensivas terrestres devem começar “muito em breve”. “Detivemos quase 85% [das drogas] por mar e também começaremos a detê-los por terra. Por terra é mais fácil, mas isso começará muito em breve”, disse o republicano durante uma conferência online para os militares estadunidenses por ocasião do Dia de Ação de Graças.

O presidente agradeceu aos agentes de segurança que têm atuado na costa do Caribe, para onde já foram enviados oito navios de guerra, caças F-35 e o porta-aviões Gerald Ford, o maior do mundo. Até o momento, as tropas dos EUA já mataram pelo menos 83 pessoas que supostamente trabalhavam para o narcotráfico. No entanto, a Casa Branca ainda não deu nenhuma garantia da relação entre os mortos e cartéis de drogas.

No início da semana, Washington incluiu o suposto Cartel de los Soles na lista de organizações terroristas dos Estados Unidos e classificou o presidente venezuelano como o chefe da organização, que enviaria drogas aos Estados Unidos. A Venezuela, por sua vez, diz que o Cartel é uma “invenção dos EUA” e acusa Donald Trump de forçar uma mudança de regime na região.

Republica Dominicana autoriza uso de aeroporto pelos EUA

Na quarta-feira (26), a República Dominicana autorizou os Estados Unidos a usarem seu principal aeroporto e uma base aérea para “operações de logística”. O presidente Luis Abinader fez o anúncio juntamente com o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, que foi ao país para negociar sobre a operação contra a Venezuela.

“Concordamos com os Estados Unidos em ampliar temporariamente a cooperação para reforçar a vigilância aérea e marítima contra o narcotráfico”, disse Abinader, após se reunir com Hegseth. “Nesse contexto, anuncio ao país que autorizamos os Estados Unidos, por um prazo limitado, a usar espaços restritos na base aérea de San Isidro e no Aeroporto Internacional Las Américas para a operação logística de aviões de reabastecimento de combustível, transporte de equipamentos e pessoal técnico”.

Risco para outros países da América do Sul

Após a ameaça de ofensiva terrestre de Donald Trump, a Frente Nacional para a Defesa dos Direitos Econômicos e Sociais do Panamá (Frenadeso) alertou que a escalada do conflito na região pode atingir, além da Venezuela, a Colômbia, o México e outros países da América do Sul.

Em uma carta enviada ao Ministério das Relações Exteriores do Panamá, a entidade afirmou que os ataques estadunidenses podem ser caracterizados como crimes contra a humanidade que violam o direito internacional, os direitos humanos e as convenções internacionais sobre a coexistência pacífica entre as nações.

A organização disse que os EUA recorrem a um cartel que julga inexistente, o “fictício ‘Cartel de los Soles’” para “justificar um potencial ataque contra a Venezuela e, posteriormente, contra a Colômbia, o México e outros países”. Trata-se de uma “manobra recorrente usada pelas administrações [norte]americanas desde 1990, que Trump emprega para incriminar o governo bolivariano como um narcoestado, mesmo que a ONU tenha declarado que o país não desempenha um papel significativo no tráfico internacional de drogas”, acrescentou Frenadeso.

*Com informações da AFP.

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