Os preços dos alimentos ganharam ritmo em março e se tornaram um dos principais vetores da inflação no período. A alta passou de 0,26% em fevereiro para 1,56% no mês seguinte, contribuindo de forma relevante para o avanço de 0,88% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (10).
A alimentação no domicílio foi o principal destaque dentro do grupo, com aumento de 1,94%, bem acima do resultado de fevereiro (0,23%). O movimento reflete a pressão de itens de consumo cotidiano, especialmente hortaliças e proteínas.
Entre os principais aumentos estão tomate, cebola e batata, além de leite e carnes, produtos com forte peso no orçamento das famílias e, portanto, maior impacto sobre o índice geral.
Os itens que registraram as maiores altas são:
- Tomate: 20,3%
- Cebola: 17,2%
- Batata-inglesa: 12,0%
- Leite longa vida: 11,7%
- Feijão-carioca (rajado): 15,4%
- Batata-doce: 13,4%
- Cenoura: 28,0%
- Abobrinha: 23,5%
- Açaí (emulsão): 12,5%
- Pimentão: 8,0%
Quedas pontuais aliviam parte da pressão
Apesar do avanço generalizado, alguns alimentos registraram recuo de preços em março. Entre eles, destacam-se frutas e itens básicos do consumo doméstico, como a maçã e o café moído.
Entre os produtos com as maiores quedas nos preços estão:
- Abacate: -13,2%
- Laranja-baía: -8,0%
- Maçã: -5,8%
- Laranja-lima: -3,9%
- Peixe-palombeta: -3,8%
- Limão: -3,6%
- Banana-maçã: -3,4%
- Mandioca (aipim): -3,2%
- Inhame: -3,2%
- Açúcar refinado: -2,9%
Recentemente, o presidente Lula (PT) demonstrou preocupação com o impacto do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã nos preços dos alimentos, ocasionado especialmente pela alta no preço internacional do petróleo, que encareça o frete e os combustíveis no país.
O custo de alimentos e bebidas, que vinha caindo desde o segundo semestre de 2025, fechou o ano com alta de 2,95% – uma desaceleração considerável na comparação com 2024, quando o aumento foi de 7,69%.
Transportes voltam a pressionar inflação
O grupo Transportes também acelerou em março, passando de 0,74% para 1,64%, impulsionado principalmente pelos combustíveis. O avanço de 4,47% no conjunto desses itens teve impacto direto no resultado do mês.
A gasolina foi o principal destaque, com alta de 4,59% após queda no mês anterior, sendo o item de maior influência individual no IPCA, com impacto estimado em 0,23 ponto percentual.
O diesel também registrou forte aumento, enquanto o etanol avançou de forma mais moderada. Já o gás veicular apresentou recuo.
- Gasolina: 4,59%
- Óleo diesel: 13,90%
- Etanol: 0,93%
- Gás veicular: -0,98%
Passagens aéreas seguem em alta
Entre os serviços de transporte, as passagens aéreas continuaram subindo, embora em ritmo menor, passando de 11,4% em fevereiro para 6,08% em março.
As tarifas de ônibus urbano avançaram 1,17%, influenciadas por reajustes locais e mudanças em políticas de gratuidade em algumas cidades.
Outros serviços apresentaram variações mais contidas: táxi (0,26%), metrô (0,67%) e ônibus intermunicipal (0,22%).



