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quarta-feira, 4 março, 2026
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Valdemar confirma que plano de governo de Flávio é soltar Bolsonaro

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Por Cleber Lourenço

 

Tem hora em que o político faz força para esconder o que pensa. E tem hora em que ele simplesmente resolve falar. No domingo, no programa Canal Livre, da Band, Valdemar Costa Neto escolheu a segunda opção.

Ao comentar a definição da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, o presidente do PL foi direto: se a direita perder a eleição, Jair Bolsonaro pode ficar “mais oito ou dez anos fechado”. Não foi metáfora. Não foi figura de linguagem. Foi cálculo político.

De repente, o plano de governo ficou claro. Não é sobre emprego, inflação, educação ou segurança pública. É sobre soltar Bolsonaro.

Valdemar contou que tudo foi decidido “do dia para a noite”. Houve uma pesquisa, Flávio apareceu “bem”, e dois dias depois a candidatura foi anunciada. Sem grande articulação com aliados, sem construção coletiva, sem o ritual básico da política profissional. A prioridade era outra. O tempo corria.

A frase que resume o momento veio no final: “Se nós perdermos a eleição, o Bolsonaro vai ficar mais oito ou dez anos fechado.” É difícil ser mais transparente do que isso. A disputa presidencial vira instrumento jurídico. A urna vira chave de cela.

Não se trata de interpretação maldosa. Trata-se de lógica declarada. Se ganhar, muda-se o cenário político e institucional. Se perder, a situação judicial se prolonga. O eleitor, nesse roteiro, deixa de ser cidadão e vira parte de uma operação de resgate.

O curioso é que essa sinceridade escancara um problema estratégico. Ao transformar a eleição em plebiscito carcerário, o PL reduz o debate nacional a um drama familiar. O país vira coadjuvante.

E mais: ao admitir que a candidatura serve para evitar que Bolsonaro permaneça preso, o partido oferece munição aos adversários, que passarão a enquadrar a campanha como tentativa de pressionar instituições.

No fundo, Valdemar apenas disse em voz alta o que já era murmurado nos bastidores. A diferença é que agora não é análise de comentarista. É declaração de dirigente partidário.

Se alguém ainda tinha dúvida sobre qual é o centro da estratégia, ela foi dissipada no estúdio de TV.

O plano de governo foi reduzido a uma frase.

Ganhar para soltar.





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