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quarta-feira, 18 fevereiro, 2026
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UE decide futuro do acordo com o Mercosul em reunião marcada por forte divisão

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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tenta viabilizar nesta quinta-feira (18) a aprovação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Os chefes de Estado e de governo dos 27 países do bloco se reúnem em Bruxelas para deliberar sobre o tratado, que está em negociação há mais de duas décadas e agora enfrenta um de seus momentos mais decisivos.

O encontro ocorre em meio a um clima de forte tensão política. A França, principal opositora do acordo, já deixou claro que não dará apoio à proposta. O presidente Emmanuel Macron reiterou sua posição contrária e produtores rurais franceses e de outros países europeus protestam na capital belga contra o pacto, alegando risco de concorrência desleal, especialmente com produtos agrícolas do Mercosul.

Ao chegar à reunião, Von der Leyen destacou a importância estratégica do acordo. Segundo ela, obter sinal verde para a parceria é fundamental para que a União Europeia avance na assinatura do tratado.

Alemanha e Espanha pressionam por aprovação do acordo com Mercosul

Enquanto a França mantém resistência firme, Alemanha, Espanha e países nórdicos pressionam pela aprovação do acordo. Para esses governos, o tratado é visto como uma oportunidade de ampliar exportações e fortalecer a posição da Europa em um cenário global marcado pela concorrência chinesa e por tendências protecionistas nos Estados Unidos.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que seria extremamente frustrante para a Europa não conseguir concluir o acordo com o Mercosul. O chanceler alemão, Friedrich Merz, reforçou que a credibilidade da União Europeia na política comercial depende de decisões concretas neste momento.

Do outro lado, a França ganhou recentemente o apoio da Itália. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou que considera precipitada a assinatura imediata e defendeu aguardar a conclusão de medidas de apoio ao setor agrícola europeu. Polônia e Hungria também se posicionam contra o pacto.

O peso da Itália na decisão

Pelas regras do Conselho Europeu, a aprovação do acordo exige o apoio de pelo menos 15 dos 27 países-membros, que representem no mínimo 65% da população da União Europeia. Nesse contexto, a Itália tem papel decisivo, por ser o terceiro país mais populoso do bloco. Com a França tradicionalmente contrária, o posicionamento italiano pode definir o desfecho da votação.

A União Europeia e o Mercosul juntos somam um PIB estimado em US$ 22 trilhões e cerca de 721 milhões de habitantes. O acordo prevê redução ou eliminação de tarifas comerciais, com potencial para dinamizar as economias dos dois blocos. Ainda assim, agricultores europeus temem perda de competitividade diante dos produtos sul-americanos.

A expectativa inicial era que o acordo fosse assinado em 20 de dezembro, durante a Cúpula do Mercosul, em Foz do Iguaçu. Para isso, no entanto, é necessário o aval prévio do Conselho Europeu.

Na véspera da reunião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que, caso o tratado não seja fechado agora, o Brasil não voltará a negociar o acordo enquanto ele estiver na Presidência. A declaração aumentou ainda mais a pressão sobre os líderes europeus, que agora precisam decidir se avançam ou não com um dos maiores acordos comerciais já negociados pelo bloco.



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