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terça-feira, 19 maio, 2026
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Três cenas a-religiosas – ICL Notícias

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Na procura por afirmar a moralidade religiosa, os candidatos que estão no espectro do messianismo político perderam a mão no que se refere aos índices de humanidade aceitável.

Primeiro ato

O termo a-religioso foi cunhado pelo pastor e teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer que foi executado no campo de concentração nazista, enforcado em 9 de abril de 1945, poucas semanas antes do fim da Segunda Guerra Mundial. A sua fé em Jesus o levou a resistir ao messianismo político de Hitler, enquanto a maioria dos pastores e padres alemães aquiesceram frente à barbárie.

O “cristianismo a-religioso” pensado por Bonhoeffer não é o apagão do cristianismo, muito menos tentativa de abolição da fé. Tão somente, intuía que os modelos religiosos não comunicam aos homens contemporâneos os sentidos essenciais da fé.

As estruturas religiosas esclerosaram sob o manto branquíssimo dos velhacos consagrados. Líderes cristãos que por fidelidade ao messianismo político da ocasião negam a Cristo, bem mais do que três vezes.

Segundo ato

No relato de Mateus 26.6-16, Jesus estava na vila de Betânia, na casa de Simão, o leproso. Veio uma mulher, sem nome, sem credenciais, e derramou o vaso de alabastro, bálsamo sobre a cabeça de Jesus, perfume caro. Foi considerado como desperdício pelos discípulos, e Judas chegou a sugerir que o valor derramado, que provocaria o cheiro fugaz, poderia ser revertido em insumos para os pobres.

O que os discípulos chamaram de desperdício Jesus interpretou como gesto de culto. Em resposta aos religiosos que se diziam preocupados com os pobres, Jesus defendeu aquela mulher, aparentemente vulgar, no seu gesto espontâneo: “Derramando este perfume sobre o meu corpo, ela o fez para o meu sepultamento”.

Jesus foi ungido com perfume do cotidiano de uma mulher comum e não com o óleo sagrado do templo manipulado pelos sacerdotes.

Jesus elogiou o ato a-religioso da mulher “vulgar” que não sabia encenar piedade espiritual com roupagem de caridade.

Terceiro ato

João 2.1-12 narra as Bodas de Caná da Galileia. Festa de casamento. Convidados na expectativa de banquete e alegria.

O primeiro “sinal” de Jesus, ato público, produziu efeitos impactantes nas pessoas que estavam presentes e constataram a maravilha.

Transformou água em vinho.

Mas que águas eram aquelas?

Não era para uso doméstico (beber, banho ou cozinhar).

Destinadas às purificações dos judeus (João 2.6). Águas que os judeus usavam para a purificação. Águas destinadas ao rito religioso. Águas sagradas. Água benta!

Jesus transformou o símbolo sagrado em elemento para a sociabilidade. Como primeiro “sinal”, o gesto foi bastante revelador. Segundo o relato de João, tal “milagre” que suprimiu a água da religião para manifestar os laços humanos.

Definitivamente, o primeiro milagre público do mestre de Nazaré foi a-religioso.

No fechar das cortinas

Na cena política atual no Brasil, predominam os discursos dos religiosos que confundem apologética com discurso de ódio.

O seguimento à religião deveria os transformar em seres humanos melhores, no entanto, os seus traços de vida não correspondem as suas apologéticas.

Nas igrejas cristãs, nessa nossa quadra histórica, falar de Jesus transformou-se num gesto revolucionário. Jesus não se molda à religião que se pretende dominadora e desumana.





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