28.3 C
Manaus
sábado, 28 março, 2026
InícioPolíticaTrabalhadores da Copasa lotam ALMG contra PEC de Zema que facilita privatização...

Trabalhadores da Copasa lotam ALMG contra PEC de Zema que facilita privatização da estatal — Brasil de Fato

Date:


Ao som de gritos de protesto e palavras de ordem, milhares de trabalhadores da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) ocuparam o auditório da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) na manhã desta quarta-feira (22). O ato ocorreu durante audiência pública da Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social, convocada para debater a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 24/23, de autoria do governador Romeu Zema (Novo), que pretende eliminar a exigência de referendo popular para a privatização da estatal.

A mobilização reuniu, segundo estimativa do deputado Betão (PT), presidente da Comissão do Trabalho, mais de 6 mil pessoas.  

“É um dia histórico para o movimento sindical”, declarou durante a audiência Jairo Nogueira, presidente da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT-Minas). Ele também enfatizou uma pesquisa da Rádio Itatiaia que mostra que 66% da população é contra a retirada da consulta popular sobre o tema.

Em maio de 2024, mais de 300 mil mineiros participaram do Plebiscito Popular em Defesa das Estatais de Minas Gerais. Desses, 95% disseram acreditar que as estatais mineiras devem continuar públicas. A ampla maioria também disse ser contra o fim do referendo.

:: Leia também: Experiências de privatização de saneamento são ruins. Mesmo assim, Zema quer vender a Copasa ::

O presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, alertou para o impacto social de experiências anteriores de privatização no país. 

“Quando privatizam uma empresa pública, a primeira coisa que fazem é a demissão de trabalhadores e o rebaixamento de salários. Não cometam o mesmo crime que cometeram com a Sabesp”, afirmou no plenário da ALMG, em referência à estatal paulista.

Entre os apoiadores da mobilização estavam também lideranças de outras categorias, como da educação, dos Correios e do Itamaraty, além de vereadores de municípios como Contagem, Lagoa Santa e Pedro Leopoldo.

Governo Zema tenta justificar privatização

Representando o Executivo estadual, o secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico, Frederico Amaral e Silva, argumentou que a venda da Copasa é necessária para amortizar parte da dívida de Minas com a União, dentro do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Segundo ele, os recursos da privatização ajudariam a atingir a meta de 20% de amortização para garantir juros zero, além de financiar investimentos obrigatórios em educação e saúde.

O presidente da Copasa, Fernando Passalio de Avelar, reforçou o discurso de eficiência e competitividade, afirmando que a estatal vive “um de seus melhores momentos”, com plano de investimento de R$ 17 bilhões até 2029 e redução de 53% em acidentes de trabalho desde 2019.

Sindicatos rebatem discurso oficial

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Água e Esgoto de Minas Gerais (Sindágua), Eduardo Pereira de Oliveira, as falas do governo e da direção da empresa foram “mentirosas”. O sindicalista denunciou o aumento de mortes em serviço e questionou a contradição entre o discurso de necessidade de venda e o anúncio de grandes investimentos. “De qual Copasa estamos falando?”, provocou.

:: Saiba mais: ‘Vender a Copasa é uma burrice’, diz sindicalista sobre foco de Zema em privatizar o saneamento ::

Emerson Andrada, coordenador do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Energética de Minas Gerais (Sindieletro-MG), também criticou o projeto. “É importante que o governo mostre onde a privatização do saneamento deu certo, onde a população teve acesso a uma água mais limpa e um serviço de qualidade. Isso nunca aconteceu”, afirmou. 

Oposição promete barrar PEC 24/23

Durante a audiência, parlamentares de oposição reforçaram o repúdio à proposta do governador. A deputada Bella Gonçalves (Psol) lembrou que a Copasa foi responsável por avanços históricos, como a erradicação da xistose, e classificou a tentativa de retirar o referendo como “inconstitucional e autoritária”. “Caso esse abuso passe, vamos levar o tema ao STF”, afirmou.

As deputadas Lohanna (PV), Ana Paula Siqueira (Rede) e Andréia de Jesus (PT) se uniram nas críticas à proposta, que chamaram de “PEC do Cala a Boca”. Já Beatriz Cerqueira (PT) elogiou a mobilização dos trabalhadores, considerada uma das maiores da história recente da ALMG, e defendeu uma vigília permanente na Casa contra a votação da proposta.

Em vídeo, o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) também se posicionou contra a privatização e cobrou a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) para ingressar judicialmente contra a venda da empresa. 

Com gritos de “Copasa é do povo, não se vende”, os trabalhadores encerraram a audiência prometendo manter a mobilização até que o governo Zema recue da proposta que, segundo eles, ameaça o acesso à água e ao saneamento básico como direitos fundamentais.



Fonte: Brasil de Fato

spot_img
spot_img
Sair da versão mobile