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sábado, 18 abril, 2026
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Trabalhadoras por aplicativo reivindicam regulamentação inclusiva e negociam com governo

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Por Maira Escardovelli – Agência Pública

Condições de trabalho precárias, excesso de carga horária, falta de segurança e de proteção legal, são algumas questões que rondam a categoria dos entregadores e motoristas de aplicativo. Um bom exemplo foi apresentado em reportagem da Agência Pública que mostra a situação de profissionais que tiveram seus rendimentos bloqueados para pagamento de dívidas.

Pouco tem se discutido, no entanto, como o mesmo quadro afeta as mulheres que também encontram nos aplicativos de corrida e entrega uma forma de sustentar a família.

“As mulheres sofrem bem mais que os homens na precariedade [do trabalho por aplicativo]. Não temos pontos de apoio para ir ao banheiro, para trocar um absorvente. A gente cuida da família e dirige 12 horas [por dia] e, no tempo que temos livre, a gente vai limpar a casa, cuidar de filho, fazer a alimentação para deixar pronta para o outro dia”, disse a presidenta do Sindicato dos Motoristas em Transportes Privados por Aplicativos do Rio Grande do Sul (Simtrapli-RS), Carina Trindade, em alusão à dupla jornada enfrentada pelas trabalhadoras.

Trindade faz parte de um grupo de trabalhadoras de aplicativo que decidiu construir e entregar para a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, um material com recorte de gênero, identificando as principais reivindicações das motoristas e entregadoras. O contato com o ministério está sendo mediado pela deputada federal Erika Kokay (PT-DF). De acordo com a parlamentar, a chefe da pasta das Mulheres está sensível para incorporar a pauta em uma possível legislação sobre o setor.

Em entrevista à Pública, a deputada declarou que as trabalhadoras deverão fazer uma reunião híbrida para possibilitar a participação remota de representantes do Brasil inteiro. “E acordamos isso com a ministra: as mulheres vão estabelecer uma pauta que depois será levada em um encontro no ministério”, afirmou Kokay.

A expectativa é que o documento seja elaborado na próxima semana e contenha as demandas já apresentadas por Carina Trindade na Organização Internacional do Trabalho (OIT) durante a 113º Conferência do fórum, realizada em junho de 2025, em Genebra.

Em agosto do ano passado, a presidente do Simtrapli-RS também organizou a 1ª Conferência Livre Nacional de Mulheres Trabalhadoras em Aplicativos, com a missão de discutir e propor ações concretas voltadas à melhoria das condições de trabalho das mulheres que atuam nas plataformas digitais. Com o tema “Livres, Fortes e Conectadas”, o encontro produziu um documento que também servirá como ferramenta na construção da pauta final a ser entregue para a ministra das Mulheres.

“A gente tem um grupo onde já construímos alguns pedidos para a pauta [da reunião com a ministra], como campanhas de conscientização contra o assédio e a violência de gênero e a implementação de programas de apoio psicológico e psiquiátrico gratuitos para as trabalhadoras”, explicou Trindade à Pública.

Condições de trabalho precárias, excesso de carga horária, falta de segurança e de proteção legal, são algumas questões que rondam a categoria dos entregadores e motoristas de aplicativo. Um bom exemplo foi apresentado em reportagem da Agência Pública que mostra a situação de profissionais que tiveram seus rendimentos bloqueados para pagamento de dívidas.

Pouco tem se discutido, no entanto, como o mesmo quadro afeta as mulheres que também encontram nos aplicativos de corrida e entrega uma forma de sustentar a família.

“As mulheres sofrem bem mais que os homens na precariedade [do trabalho por aplicativo]. Não temos pontos de apoio para ir ao banheiro, para trocar um absorvente. A gente cuida da família e dirige 12 horas [por dia] e, no tempo que temos livre, a gente vai limpar a casa, cuidar de filho, fazer a alimentação para deixar pronta para o outro dia”, disse a presidenta do Sindicato dos Motoristas em Transportes Privados por Aplicativos do Rio Grande do Sul (Simtrapli-RS), Carina Trindade, em alusão à dupla jornada enfrentada pelas trabalhadoras.

Trindade faz parte de um grupo de trabalhadoras de aplicativo que decidiu construir e entregar para a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, um material com recorte de gênero, identificando as principais reivindicações das motoristas e entregadoras. O contato com o ministério está sendo mediado pela deputada federal Erika Kokay (PT-DF). De acordo com a parlamentar, a chefe da pasta das Mulheres está sensível para incorporar a pauta em uma possível legislação sobre o setor.

Em entrevista à Pública, a deputada declarou que as trabalhadoras deverão fazer uma reunião híbrida para possibilitar a participação remota de representantes do Brasil inteiro. “E acordamos isso com a ministra: as mulheres vão estabelecer uma pauta que depois será levada em um encontro no ministério”, afirmou Kokay.

A expectativa é que o documento seja elaborado na próxima semana e contenha as demandas já apresentadas por Carina Trindade na Organização Internacional do Trabalho (OIT) durante a 113º Conferência do fórum, realizada em junho de 2025, em Genebra.

Em agosto do ano passado, a presidente do Simtrapli-RS também organizou a 1ª Conferência Livre Nacional de Mulheres Trabalhadoras em Aplicativos, com a missão de discutir e propor ações concretas voltadas à melhoria das condições de trabalho das mulheres que atuam nas plataformas digitais. Com o tema “Livres, Fortes e Conectadas”, o encontro produziu um documento que também servirá como ferramenta na construção da pauta final a ser entregue para a ministra das Mulheres

Entre as reivindicações construídas na Conferência, está a criação de um aplicativo exclusivo para mulheres motoristas e entregadoras. O objetivo é que o dispositivo contenha funcionalidades como localização em tempo real integrada à Polícia Militar; botão de emergência para denúncia de situações de perigo, assédio ou violência (física, psicológica e emocional); e canal direto à serviços de segurança para orientação e acompanhamento das denúncias.

Outra demanda que deve ser levada à ministra faz referência à proposta de isenção ou redução de impostos para clínicas e laboratórios que ofereçam exames preventivos gratuitos ou com descontos para mulheres trabalhadoras em aplicativos.

Também existe, segundo Trindade, “a necessidade de creches, porque há mulheres que às vezes esperam a mãe chegar do trabalho para poder deixar os filhos e assim sair para trabalhar no turno invertido, de noite, enquanto a mãe, no caso a avó das crianças, cuida delas e da casa”.

Segundo ela, muitas mulheres que trabalham com aplicativos fazem entregas de mercadorias de gigantes como Shopee e Amazon dirigindo com os próprios filhos dentro do carro. Outras, que são motoristas, se protegem da insegurança das ruas limitando as corridas apenas a passageiras. “É importante que a gente tenha uma regulamentação justa para a nossa categoria”, defendeu.

Câmara tem proposta sobre trabalho por aplicativo que não cita mulheres

A defesa de uma regulamentação sobre o trabalho por aplicativo, favorável aos trabalhadores, feita por Carina Trindade ocorreu na última terça-feira, 14 de abril, no Congresso Nacional. No mesmo dia, seria discutido o parecer sobre o Projeto de Lei Complementar (PLP) 152/2025 que busca regulamentar o trabalho nas plataformas digitais. O relator, deputado federal Augusto Coutinho (Republicanos-PE) apresentaria o documento para a Comissão Especial da Câmara sobre o tema. Diante de manifestações contrárias ao texto de motoristas e entregadores, nas ruas de Brasília e de outras capitais do país, ele foi engavetado a pedido do governo federal e a votação não aconteceu.

Trabalhadores de aplicativos se manifestam em Brasília contra projeto de regulamentação apresentado na Câmara Federal
Trabalhadores de aplicativos se manifestam em Brasília contra projeto de regulamentação apresentado na Câmara Federal. (Foto: Paulo Pinto/ Agência Pública)

O texto do PLP 152/2025, que seria apresentado por Augusto Coutinho, não contemplava as necessidades específicas das trabalhadoras por aplicativo, como o auxílio maternidade e protocolos sobre saúde e segurança, contra a violência física e o assédio sexual. Antes previstos, o botão de pânico e o direito de mulheres atenderem apenas mulheres foram retirados do projeto.

A obrigatoriedade das plataformas oferecerem pontos de apoio também foi excluída do texto. A reivindicação é considerada como uma das principais para as trabalhadoras, que atualmente dependem de postos de combustíveis para irem ao banheiro e fazer pontos de parada. Muitos, porém, são fechados durante a madrugada, inviabilizando ainda mais as condições de quem trabalha no período noturno.

Questionado pela reportagem sobre a ausência de demandas das trabalhadoras no PLP, Augusto Coutinho afirmou que a reivindicação da obrigatoriedade de pontos de apoio, com quantidade mínima definida, foi delegada para uma regulamentação posterior a ser feita pelo o Ministério das Cidades. A ideia era que a pasta, em conjunto com cada município e empresa, identificasse como viabilizar os locais.

“Eu tirei da lei. Imagina botar isso num papel de como seria um abrigo do tamanho de tanto para tanto, para ter banheiro. Veja a complexidade de um projeto desse, num país desse tamanho (…) A gente tentou, de fato, dar uma enxugada na coisa para a lei funcionar”, afirmou o parlamentar.





ICL Notícias

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