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terça-feira, 23 junho, 2026
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Torcedor que vira estátua de Lumumba estreia na Copa

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Por Rodrigo de Andrade*

Após ficar fora da estreia histórica da República Democrática do Congo na Copa do Mundo de 2026, o torcedor Michel Kuka Mboladinga, conhecido mundialmente como “Lumumba Vea”, deve finalmente marcar presença nas arquibancadas nesta terça-feira (23), na partida contra a Colômbia, às 23h.

O congolês ganhou fama por permanecer imóvel durante os 90 minutos dos jogos, reproduzindo a postura de uma estátua em homenagem ao líder da independência do país, Patrice Lumumba.

Mboladinga se tornou uma das figuras mais conhecidas do futebol africano durante a Copa Africana de Nações de 2025. Vestido com um terno nas cores da bandeira congolesa, óculos e penteado inspirados no líder africano, ele passa toda a partida sem se mover, com um dos braços levantados, recriando a pose da estátua de Patrice Lumumba localizada em Kinshasa, capital da RD Congo.

A homenagem transformou o torcedor em celebridade nas redes sociais e chamou a atenção da imprensa internacional. Segundo o próprio Mboladinga, o gesto simboliza valores como dignidade, liberdade, soberania nacional e orgulho da história congolesa.

Ausência na estreia

Apesar de integrar a delegação de torcedores que viajaria para a Copa do Mundo, Mboladinga não conseguiu acompanhar a estreia da seleção congolesa, que empatou por 1 a 1 com Portugal. O motivo foi uma quarentena preventiva imposta em razão do surto de ebola registrado na República Democrática do Congo.

As restrições sanitárias obrigaram o torcedor a cumprir um período de isolamento antes de embarcar para o torneio. Com a quarentena encerrada, ele foi liberado para viajar e acompanhar a equipe na sequência da competição.

Quem foi Patrice Lumumba

Patrice Lumumba foi um político e líder nacionalista congolês que se tornou o primeiro primeiro-ministro da recém independente República Democrática do Congo em 1960. Ele é considerado um dos principais símbolos da luta anticolonial e do panafricanismo.

Lumumba liderou o movimento que pressionou a Bélgica a conceder independência ao Congo após décadas de um dos mais cruéis e sanguinários regimes colonialistas. Em 30 de junho de 1960, durante a cerimônia de independência, fez um discurso histórico denunciando os abusos e a exploração sofridos pelos congoleses durante o período.

Foto: Bob Gomel/Time & Life Pictures/Getty Images
Bob Gomel/Time & Life Pictures/Getty Images

Após a independência do Congo e a crise política que culminou na morte de Patrice Lumumba, os Estados Unidos e outras potências ocidentais passaram a enxergar o líder como alguém que poderia aproximar o país da União Soviética, no contexto da Guerra Fria.

Em 17 de janeiro de 1961, Patrice Lumumba foi executado junto com dois aliados políticos. Durante décadas, seu assassinato foi cercado de controvérsias. Investigações posteriores apontaram o envolvimento de autoridades estadunidenses e a cumplicidade de setores do governo belga.

Após a morte de Lumumba, a República Democrática do Congo, com menos de um ano de independência, enfrentou rebeliões, tentativas de secessão e disputas entre grupos políticos rivais.

Nos anos seguintes, diferentes facções lutaram pelo controle do território, enquanto potências estrangeiras, especialmente os Estados Unidos e a Bélgica, acompanhavam de perto a situação por causa da Guerra Fria.

Em 1965, o general Mobutu Sese Seko tomou o poder por meio de um golpe militar. Mobutu governou por mais de 30 anos. Em 1971, mudou o nome do país para Zaire e implantou um regime autoritário baseado no culto à personalidade.

*Estagiário sob a supervisão de Bia Abramo





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