Israel decidiu libertar o brasileiro Thiago Avila neste sábado. O ativista será deportado ao Brasil, depois de fazer parte da flotilha que tentava chegar até Gaza com ajuda humanitária e em barcos que estavam cruzando o mar Mediterrâneo.
O ativista, neste momento, está iniciando um processo para permitir sua volta ao Brasil. Diplomatas brasileiros já foram informados. Mas o procedimento pode levar até quatro dias. Também será solto o espanhol Saif Abukeshek, que também estava na flotilha.
Ávila continua sob a custódia de Israel até que a deportação ocorra, nos próximos dias. Mas não retornará para a prisão onde foi, inclusive, colocado em isolamento.
A informação havia sido dada à equipe jurídica da Adalah. A defesa havia indicado, mais cedo, que eles serão entregues às autoridades de imigração de Israel ainda hoje, o que está ocorrendo neste momento.
“A Adalah está acompanhando de perto o desenrolar dos acontecimentos para garantir que a libertação da detenção ocorra, seguida de sua deportação de Israel nos próximos dias”, explicou.
De acordo com a defesa, durante todo o período de detenção, eles foram mantidos em isolamento total sob condições punitivas, apesar da natureza puramente civil de sua missão. Ambos os ativistas estão em greve de fome desde então, situação que Abukeshek intensificou, chegando a negar-lhes água na noite de 5 de maio.
55 barcos navegavam em águas internacionais entre a Itália e a Grécia quando um ataque foi organizado contra a flotilha, há uma semana. Lasers apontados para as pessoas e armas semiautomáticas foram usados e 21 pessoas foram sequestradas.
Pelo menos 34 pessoas sofreram ferimentos e foram transferidas para um hospital. Sem celulares, por conta do confisco por parte das autoridades, esses ativistas não conseguiram registrar os ferimentos.
Thiago Ávila, porém, não foi autorizado a desembarcar com o restante dos participantes e foi levado à força para Israel. Relatos apontam que qualquer um que tentasse evitar a operação eram alvo de violência.
No momento de sua prisão, o governo do Brasil pressionou Israel por uma resposta, enquanto a ONU também cobrou sua soltura. “Os governos do Brasil e da Espanha condenam, nos termos mais enérgicos, o sequestro de dois de seus cidadãos em águas internacionais por parte do Governo de Israel”, afirmou uma nota conjunta dos dois países, naquele momento.
“Ambos encontravam-se em embarcações da flotilha Samud, abordadas por forças israelenses na altura da Grécia, e não foram liberados quando da interceptação dessas naves, e posterior desembarque dos passageiros e tripulantes na ilha de Creta”, afirmaram.
“Esta ação flagrantemente ilegal das autoridades de Israel, fora de sua jurisdição, é uma afronta ao Direito Internacional, acionável em cortes internacionais, e configura delito em nossas respectivas jurisdições”, dizem as autoridades dos dois países.
“Os governos do Brasil e da Espanha exigem do governo de Israel o retorno imediato de seus cidadãos, com plenas garantias de segurança, e que se facilite o acesso consular imediato para sua assistência e proteção”, completava a nota.



