Juliana Arreguy e Gabriel Serpa
(FOLHAPRESS) A ministra do Planejamento, Simone Tebet, filiou-se ao PSB na noite desta sexta-feira (27) para disputar o Senado por São Paulo na chapa encabeçada por Fernando Haddad (PT) ao governo paulista e defendeu que o vice-presidente Geraldo Alckmin, agora companheiro de partido, tente a reeleição junto do presidente Lula (PT).
“Eu defendo hoje que o vice-presidente continue, que em time que está ganhando não se mexe, na vaga de vice-presidente, de pré-candidato a vice-presidente da República, ao lado do presidente Lula”, declarou Tebet a jornalistas após o evento.
A cerimônia de filiação ocorreu na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), na zona sul da capital, e foi acompanhada por quadros tradicionais do partido, incluindo Alckmin, o ministro Márcio França (Empreendedorismo) e a deputada federal Tabata Amaral. O petista José Dirceu também compareceu.
Tebet disse ser uma pessoa “de centro, do agronegócio” e que isso talvez ajude a lidar com a resistência de eleitores do interior a candidaturas vistas como progressistas.
“Tenho uma visão progressista em relação aos direitos humanos e não abro mão disso. Eu sou mais liberal na economia, então talvez esse balanço, esse equilíbrio, possa ajudar não só o partido, a legenda, mas essa frente ampla que nós queremos.”
Ela acrescentou que o partido deseja ter a vice de Haddad na disputa ao governo paulista, mas que as conversas ainda estão em andamento.
Durante o seu discurso, Tebet declarou que teve a infelicidade de ser senadora durante um período de retrocessos do governo do “pior, o mais insensível presidente da história deste país, que é Jair Messias Bolsonaro”.
A ministra agradeceu a Alckmin por tê-la levado ao partido e ao estado. “Meu nome está à disposição para o Senado”, afirmou.
“São Paulo tem um governo absolutamente ingrato. Se hoje tem caixa no governo de São Paulo, é porque tem presidente da República que não olha coloração partidária”, disse ela.
Natural de Mato Grosso do Sul, onde construiu sua carreira política, Tebet mudou de domicílio eleitoral após pedidos de Lula e de Alckmin para que concorresse por São Paulo, estado onde ela foi mais votada para presidente no primeiro turno da eleição de 2022, com 1,6 milhão de votos.
Segundo pesquisa Datafolha divulgada neste mês, em um cenário no qual Alckmin também disputa o Senado, Tebet aparece com 25% das intenções de voto à casa legislativa, atrás apenas do vice-presidente, com 31%.
Tebet era filiada ao MDB desde 1997, mas como o partido apoia a reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no estado, a troca de domicílio também exigiu que ela migrasse para outra sigla.
Pelo MDB em Mato Grosso do Sul, ela foi deputada estadual (2003-2004), prefeita de Três Lagoas (2005-2010), vice-governadora (2011 a 2014) e senadora (2015 e 2023). O pai dela, Ramez Tebet, foi governador e senador do estado.
Tebet: ‘Lula salvou a democracia no Brasil’
Ao longo do evento, as falas se voltaram para as eleições de 2022 e a defesa da democracia.
“O presidente Lula salvou a democracia no Brasil. Se eles [do governo Bolsonaro], perdendo as eleições, tentaram dar um golpe, imagina vencendo?”, disse Alckmin em seu discurso.
Ele também disse que Tebet, enquanto ministra do Planejamento, colaborou para que o estado tivesse financiamento federal em grandes projetos, como o trem intercidades de São Paulo a Campinas, uma das bandeiras que tem sido levantada por Tarcísio em sua pré-campanha à reeleição.
Tabata fez um discurso duro contra Bolsonaro, alegando que o ex-presidente só foi derrotado graças a Alckmin e Tebet, que apoiaram a chapa de Lula naquelas eleições –a ministra declarou apoio ao petista no segundo turno.
“Esse projeto autoritário foi derrotado. E isso só foi possível porque duas pessoas, no tempo certo, tiveram a coragem de se colocar a serviço do país”, disse Tabata. “Sem a firmeza, a coragem, o compromisso democrático e sem a decisão de colocar o Brasil acima de qualquer projeto pessoal, a história teria sido outra. Essas duas lideranças que ajudaram a salvar a nossa democracia estão agora no mesmo partido”, acrescentou.
A deputada disse que São Paulo tem um papel decisivo na história e que muitas vezes define os rumos do país. Tabata, assim como Tebet, também sinalizou que o PSB pretende manter Alckmin como vice de Lula. O presidente deixou em aberto, na semana passada, a possibilidade de o pessebista sair ao Senado.
“Vamos seguir com o vice-presidente Geraldo Alckmin liderando nosso país ao lado do presidente Lula”, disse Tabata.
Chapa lulista
A outra vaga ao Senado por São Paulo, ainda em aberto, deve ser ocupada pela ministra Marina Silva, do Meio Ambiente.
Márcio França, que inicialmente havia se colocado como pré-candidato ao governo, tem dito a aliados que busca pleitear para si a candidatura a senador. O Painel mostrou que Lula estuda oferecer a ele o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, hoje comandado por Alckmin, para tirar o ministro das eleições e consolidar o palanque no estado.
Questionada se preferiria que a outra vaga ao Senado fosse disputada por uma mulher ou por um companheiro de partido, Tebet respondeu: “Eu prefiro mulher em todos os lugares, espaços de poder, mas a gente sabe que entre o ideal e o possível, a gente tem que ficar com o possível”.



