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segunda-feira, 12 outubro, 2026
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Tarcísio usa vídeo falso sobre ato de Lula e ataca quem não vota em Flávio Bolsonaro

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Por Cleber Lourenço

 

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), publicou nesta segunda-feira (12), por volta das 15h, um vídeo com imagens falsamente associadas à manifestação de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizada no domingo (11), na Avenida Paulista. A publicação ocorreu quase duas horas depois de a gravação ter sido desmentida publicamente. No mesmo vídeo, Tarcísio atacou os eleitores do campo político adversário ao sugerir que as manifestações da direita representam os brasileiros que trabalham e produzem, em oposição aos apoiadores de Lula.

Uma das cenas utilizadas pelo governador mostra uma mulher aparentemente consumindo drogas. Entretanto, a gravação já circulava nas redes sociais antes da manifestação. Às 13h09 desta segunda-feira, a agência Aos Fatos publicou uma checagem demonstrando que as imagens haviam sido divulgadas por perfis estrangeiros no sábado (10), um dia antes do ato na Paulista.

Tarcísio
Imagem utilizada em post de Tarcísio que mostra mulher usando drogas não foi em ato da Paulista (Foto: Redes sociais)

A agência identificou publicações em contas argentinas e chilenas, mas não conseguiu determinar onde a gravação foi feita, quem é a mulher ou qual substância aparece nas imagens. A circulação anterior ao protesto, porém, comprova que a cena não foi registrada durante a manifestação de domingo.

Mesmo após a publicação do desmentido, Tarcísio utilizou o material para criticar os manifestantes e estabelecer uma comparação entre os atos da direita e os de apoiadores do PT.

O governador também acusou os participantes do ato de falta de civilidade e criticou aqueles que classificam adversários políticos como fascistas. Em seguida, fez uma declaração que desqualifica os eleitores da oposição ao apresentar o trabalho e a produção como características de seu próprio campo político.

“Eu fico com a manifestação do verde e amarelo, das famílias, dos idosos, das crianças, daqueles que trabalham e produzem”, declarou.

A fala de Tarcísio não se limita aos participantes da manifestação de Lula. Ao apresentar quem trabalha e produz como integrante do campo político de Flávio Bolsonaro, o governador dirige uma crítica que pode ser entendida como uma ofensa a todos os brasileiros que não apoiam o candidato do PL, incluindo eleitores de outras posições políticas. A contraposição sugere que quem está fora de seu campo político não trabalha nem contribui para o país.

A declaração ocorre na reta final do segundo turno da eleição presidencial, disputado por Lula e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apoiado pelo governador paulista.

PM e Metrô apresentam versões diferentes sobre fechamento de estações

Durante a dispersão da manifestação, a Polícia Militar de São Paulo fechou acessos a estações do Metrô, dificultando o retorno dos participantes para casa. A PM justificou a medida alegando ocorrências de depredação e tumulto, mas a versão foi contrariada pelo próprio Metrô, que atribuiu o fechamento da estação Trianon-Masp à grande concentração de passageiros e à necessidade de controlar o fluxo de pessoas.

As restrições provocaram reclamações e obrigaram manifestantes a caminhar até outras estações para conseguir embarcar. O Metrô informou que o bloqueio fazia parte de seus protocolos de segurança para eventos com grande público.

Em 2024, Tarcísio associou Boulos ao PCC sem apresentar provas

O episódio ocorre dois anos depois de outra declaração controversa de Tarcísio durante uma disputa eleitoral.

Em 27 de outubro de 2024, dia do segundo turno da eleição municipal de São Paulo, o governador afirmou que integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) haviam orientado o voto em Guilherme Boulos (PSOL), então candidato à prefeitura contra Ricardo Nunes (MDB), aliado de Tarcísio.

A declaração foi feita à imprensa depois de o governador votar, ao lado de Nunes. Questionado sobre qual candidato teria recebido a orientação da facção criminosa, Tarcísio respondeu: “Boulos”.

O governador afirmou que a informação havia sido obtida por meio de um trabalho de inteligência policial, mas não apresentou provas que demonstrassem a existência da suposta orientação em favor do candidato do PSOL.

Boulos negou a acusação, classificou a declaração como uma tentativa de interferir no resultado eleitoral e acionou a Justiça Eleitoral, pedindo a inelegibilidade de Tarcísio e de Nunes.

Na ocasião, a declaração provocou discussões entre integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a possibilidade de configurar abuso de poder político, diante da utilização de uma acusação grave, sem provas apresentadas publicamente, no próprio dia da votação.

Dois anos depois, o governador volta a protagonizar uma controvérsia envolvendo informações sem comprovação contra adversários em meio a uma eleição. Desta vez, a utilização de uma imagem falsamente associada ao ato de Lula ocorre na reta final da disputa presidencial, depois de sua relação com a manifestação já ter sido desmentida publicamente.

A campanha de Lula também acionou o TSE nesta segunda-feira contra Flávio Bolsonaro, o PL e aliados do candidato por publicações que associaram a manifestação na Paulista a vandalismo, consumo de drogas e terrorismo.

Entre os citados na representação estão Nikolas Ferreira (PL-MG), Lucas Pavanato (PL-SP), Rony Gabriel e Pablo Marçal. Tarcísio não aparece entre os alvos identificados na ação.





ICL Notícias

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