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Por Cleber Lourenço
O governo de Tarcísio de Freitas em São Paulo é um retrato brutal de prioridades invertidas. Aos grandes grupos empresariais, oferece-se um paraíso de renúncias fiscais e um fisco vulnerável, que tolera fraudes bilionárias no ICMS e libera créditos na base do conluio entre auditores e executivos.
O Tribunal de Contas do Estado já apontou falhas graves e aprovou contas com ressalvas, mas nada muda: os bilhões que deveriam financiar serviços públicos continuam escorrendo para o bolso dos poderosos. São privilégios sistemáticos, renovados ano após ano, enquanto escolas, hospitais e transporte público seguem sucateados.
Enquanto isso, para o cidadão comum, a resposta é dureza. Pedágios reajustados sem dó em 5,3%, multiplicação de pórticos do sistema free flow em ritmo acelerado, cobranças eletrônicas implacáveis. A propaganda oficial fala em “justiça tarifária”, mas a prática é outra: milhões de motoristas e caminhoneiros pagando mais, sem margem para contestação, sob ameaça de multas e pontos na carteira.
O mesmo Estado que é dócil diante dos bilionários se mostra feroz e punitivo contra a população que depende das estradas. O governo encontra energia para fiscalizar cada centavo do motorista, mas não a mesma disposição para impedir fraudes que drenam bilhões.
Em Cotia, a face mais cruel desse projeto se revelou: manifestantes que ousaram protestar contra os novos pedágios foram recebidos com cassetetes, gás e repressão policial desproporcional. O governo mostra que não apenas cobra, mas cala. Não há espaço para vozes dissonantes quando o que está em jogo é a receita garantida das concessionárias. A prioridade absoluta é proteger contratos, mesmo que para isso seja necessário esmagar o direito democrático de protesto.
O contraste é ainda mais escandaloso quando lembramos que os mesmos que depredaram e destruíram as sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro recebem a defesa ferrenha de Tarcísio, enquanto cidadãos de Cotia, que não chegaram nem perto de tais atos de violência, foram tratados como inimigos a serem reprimidos sem piedade. É a prova de que, para esse governo, a violência contra o povo é aceitável, mas o conluio com a elite é intocável.
Esse cenário não é acidente nem descuido. É uma escolha política clara. Tarcísio de Freitas prefere manter privilégios bilionários no topo e cobrar até o último centavo da base. Prefere blindar grupos que se beneficiam de isenções obscuras e de fraudes comprovadas, enquanto aperfeiçoa cada engrenagem para arrancar dinheiro de motoristas comuns. Bilhões poupados para os de cima, milhões extraídos dos de baixo. Trata-se de uma política consciente de transferência de renda às avessas: tira-se do trabalhador e do caminhoneiro para engordar as concessionárias e os grandes empresários.
O pedágio, nesse contexto, não é apenas tarifa: virou símbolo de um governo que opera de costas para a sociedade e de joelhos para os interesses econômicos. Um governo que sabe usar tecnologia e força policial para cobrar do povo, mas não mostra a mesma energia para enfrentar a elite que sangra o Estado. Um governo que blinda os bilionários e esmaga sem piedade os cidadãos comuns.
É a radiografia de uma administração que transformou as estradas em linhas de extração de riqueza e os motoristas em alvos fáceis da voracidade arrecadatória, ao mesmo tempo em que faz vista grossa para os verdadeiros saqueadores do erário.



