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terça-feira, 6 outubro, 2026
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Superinteligência com cara de Tamagotchi

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O novo agente de inteligência articula lançando pela Meta, o Muse, pode ser conectado ao seu email, conta bancária e até cartões de crédito para funcionar como um assistente pessoal, resolvendo coisas do dia a dia para você. Como você já deve imaginar, oferecer esse tipo de acesso a um bot é arriscado e pode gerar muitos problemas.

Em um caso citado por uma reportagem do New York Times, tudo correu conforme esperado. O agente da Muse ligou para uma seguradora odontológica de um usuário, aguardou na espera e só transferiu a chamada quando havia alguém do outro lado da linha pronto para falar. Também cancelou assinaturas e conseguiu um reembolso de 44,99 dólares.

Em outro relato, o Muse travou em logins e ao fazer compras de ingressos. O repórter que testava a ferramenta    preferiu terminar sozinho uma negociação no mercado de compra e venda de usados do Facebook porque o contato direto com a outra pessoa fazia diferença.

Nem todas empresas estão recebendo o Muse da mesma forma. Usuários que mandaram o Muse comprar algo na Amazon receberam um aviso de que agentes não autorizados não podem usar o site. O motivo pode estar relacionado a estratégia de negócios. A Amazon vive da publicidade e das sugestões de produto dentro da própria loja e um robô de outra empresa no meio da compra atrapalha esse modelo. A Shopify, que vende infraestrutura para lojistas, liberou o acesso porque ganha com vendas vindas de qualquer canal. O agente universal não é bem vindo por quem já domina a internet.

No evento Meta Connect, Mark Zuckerberg apresentou também o Muse Charm, um aparelho do tamanho de um relógio de bolso, com tela de duas polegadas, conexão 5G e um personagem virtual que dá acesso ao agente. A comparação com o Tamagotchi foi imediata. A Meta chama o projeto de “superinteligência pessoal” e quer espalhá-lo por dispositivos próprios, como os óculos, para depender menos dos sistemas da Apple e do Google.

O preço dessa conveniência toda é o acesso. Para agir em nosso nome, o agente precisa enxergar emails, extratos e quem guarda tudo isso é a Meta, empresa que construiu um império justamente a partir de dados pessoais. Um assistente que resolve tudo depende de confiar numa empresa com o histórico da Meta.

No episódio 383 do RESUMIDO, comentei por que tentar delegar tarefas à IA pode ser mais cansativo do que o desejo de economizar trabalho pode fazer parecer. E um personagem fofo de bolso não resolve nada disso.





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