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terça-feira, 7 abril, 2026
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Superendividamento reduz em até 40% avanço do consumo, aponta estudo

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O avanço do superendividamento no Brasil tem reduzido de forma significativa a capacidade de consumo das famílias, mesmo em um cenário de crescimento da renda e melhora no mercado de trabalho. Estudo do banco Daycoval aponta que o comprometimento elevado da renda com dívidas diminui em cerca de 40% o impacto positivo da massa salarial sobre o consumo — um dos principais motores da economia.

A análise, assinada pelos economistas Rafael Cardoso, Julio Cesar Barros e Antonio Ricciardi, indica que o fenômeno já se consolidou como um dos principais entraves à expansão do consumo no país, com efeitos diretos sobre o ritmo de crescimento econômico.

De acordo com o levantamento, em cenários de baixo endividamento, cada aumento de 1 ponto percentual na massa salarial resulta em alta de 0,29 ponto percentual no consumo das famílias. No entanto, quando o endividamento está elevado, esse efeito cai para 0,17 ponto percentual.

Na prática, isso significa que parte relevante da renda adicional deixa de se transformar em consumo e passa a ser direcionada ao pagamento de dívidas. Segundo o estudo, esse enfraquecimento da relação entre renda e consumo ajuda a explicar por que o consumo das famílias tem reagido menos, apesar da melhora nos indicadores de emprego e renda.

O peso do endividamento

Os economistas identificaram que o impacto negativo se intensifica quando o endividamento das famílias supera cerca de 39% da renda acumulada em 12 meses. Atualmente, esse indicador está bem acima desse patamar.

Dados do Banco Central mostram que a relação entre dívida e renda saiu de 17% em 2005 para 49,7% em janeiro de 2026, evidenciando uma tendência de alta ao longo das últimas duas décadas.

Nesse contexto, o crédito passa a ter papel mais relevante na sustentação do consumo. Famílias altamente endividadas recorrem a novas linhas de financiamento para manter o padrão de gastos, ampliando o ciclo de comprometimento financeiro.

Consumo abaixo do potencial

O estudo estima que, sem o efeito do superendividamento, o consumo das famílias teria crescido 10,8% desde 2023 — três pontos percentuais acima do observado (7,8%). Apenas em 2025, a diferença teria sido de 3,6 pontos percentuais.

Os dados reforçam a percepção de que o atual nível de endividamento não apenas compromete o orçamento das famílias, mas também reduz o potencial de crescimento da economia como um todo.

Parte relevante do aumento do endividamento está associada à expansão do crédito imobiliário, especialmente nos períodos entre 2010 e 2015 e a partir de 2021. Além disso, modalidades de crédito mais caras, com juros elevados, têm avançado sobretudo entre as famílias de baixa renda.

Mesmo com a taxa básica de juros, a Selic, em patamar elevado (14,75% ao ano), essas linhas continuam crescendo, o que contribui para agravar a situação financeira de parte da população.

Atualmente, as famílias destinam cerca de 29% da renda mensal ao pagamento de dívidas — o maior nível em pelo menos duas décadas. Desse total, mais de um terço corresponde apenas a juros.

Resposta do governo e desafios

Diante do cenário, o governo federal trabalha na formulação de um novo programa de renegociação de dívidas, com foco em ampliar descontos e facilitar o refinanciamento dos débitos.

A proposta em discussão prevê a criação de mecanismos que incentivem bancos e instituições financeiras a oferecer condições mais favoráveis, possivelmente com algum tipo de garantia pública para viabilizar taxas de juros menores.

Especialistas avaliam, no entanto, que a redução do superendividamento depende de um conjunto mais amplo de medidas, que vá além da queda dos juros e inclua estratégias estruturais para reequilibrar o orçamento das famílias.

Perspectivas

Embora a redução das taxas de juros possa aliviar o custo do serviço da dívida, isso não garante, por si só, uma diminuição do nível de endividamento. Sem um processo mais amplo de desalavancagem, o consumo tende a seguir limitado, mesmo em um ambiente de renda crescente.

Nesse cenário, o superendividamento se consolida como um dos principais desafios para a economia brasileira, ao restringir a capacidade de consumo das famílias e enfraquecer a transmissão do crescimento da renda para a atividade econômica.





ICL Notícias

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