26.3 C
Manaus
domingo, 15 fevereiro, 2026
InícioBrasilSumud nos convoca: resistir ao genocídio, exigir responsabilização

Sumud nos convoca: resistir ao genocídio, exigir responsabilização

Date:

[ad_1]

ouça este conteúdo

00:00 / 00:00

1x

Sumud em árabe significa resiliência. Um nome simbólico para a flotilha de mais de 30 embarcações que deixou Barcelona nesta segunda-feira (1º) rumo a Gaza, com a missão de desafiar o bloqueio imposto por Israel e entregar ajuda humanitária urgente.

Apresentada como a maior expedição marítima já organizada em solidariedade ao povo palestino, a Flotilha Sumud reúne participantes de ao menos 44 países e transporta toneladas de alimentos e medicamentos.

As primeiras embarcações que zarparam da capital catalã devem se encontrar no próximo dia 4, na Tunísia, com uma segunda leva de barcos. A previsão é que a frota — que pode chegar a 70 navios — leve de sete a oito dias para percorrer os cerca de 3 mil quilômetros até Gaza.

A bordo seguem médicos, humanitários, religiosos, advogados, marinheiros, artistas e lideranças políticas.

Entre eles, a ex-prefeita de Barcelona Ada Colau, os atores Liam Cunningham, Eduard Fernández e Susan Sarandon, a ativista climática Greta Thunberg e o brasileiro Thiago Ávila, um dos organizadores da iniciativa.

O Brasil participa oficialmente com uma delegação de 13 pessoas: Thiago Ávila, Bruno Gilga Rocha, Lucas Farias Gusmão, João Aguiar, Mohamad El Kadri, Magno Carvalho Costa, Ariadne Telles, Lisiane Proença, Carina Faggiani, Victor Nascimento Peixoto e Giovanna Vial; a vereadora de Campinas Mariana Conti (PSOL) e a presidenta do PSOL do Rio Grande do Sul, Gabrielle Tolotti.

A missão parte em meio a uma crise humanitária sem precedentes.

Em agosto, a fome foi oficialmente confirmada em Gaza pela primeira vez, segundo a Classificação Integrada de Fases de Segurança Alimentar (IPC), apoiada pela ONU.

O relatório descreve um cenário de inanição, miséria e mortes. Israel rejeitou as conclusões, alegando se tratar de “propaganda do Hamas”.

O bloqueio imposto desde 2007 por Israel controla o espaço aéreo e as águas de Gaza, restringindo severamente a entrada de mercadorias e a saída de pessoas.

Estima-se que mais de 2 milhões de palestinos estejam submetidos a essas condições há quase duas décadas.

Tentativas anteriores de romper o cerco foram interceptadas. O episódio mais dramático ocorreu em 2010, quando comandos israelenses atacaram o navio Mavi Marmara em águas internacionais, matando 10 ativistas.

Mais recentemente, em junho deste ano, um barco da Flotilha da Liberdade também foi interceptado, resultando na prisão de 12 tripulantes — entre eles, o brasileiro Thiago Ávila.

Na ocasião, o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) classificou a ação de Israel como crime de guerra.

A missão não é apenas resiliente – é corajosa e muito necessária para forçar os olhos do mundo sobre o genocídio que acontece nesse momento.

No entanto, é pouco possível que os barcos consigam atracar em Gaza.

O mais provável é que a flotilha seja novamente interceptada por Israel, como nas últimas tentativas.

Os integrantes da Sumud colocam suas próprias vidas em risco e assim geram incômodo nos líderes políticos de seus países. Os força a se pronunciar e se posicionar.

É o que nós, jornalistas, ativistas, comunicadores, intelectuais deveríamos estar fazendo.

Já passou da hora de chamarmos a tortura, morte e inanição forçada de milhares de palestinos pelo nome certo, por genocídio, por tentativa de apagamento étnico.

Precisamos forçar os olhos dos líderes políticos, cobrar, causar desconforto.

Não apenas para que Israel se retire da Faixa de Gaza mas para que Netanyahu e seu exército sejam responsabilizados.

Mais: que os líderes mundiais que foram cúmplices desse genocídio, fornecendo apoio, armas, dinheiro a Israel também sejam devidamente responsabilizados.

Porque se depender deles, isso não vai acontecer.

Se os governos se revelam cúmplices, cabe a nós ser a resistência.

Sumud não é apenas resiliência: é insistência em existir, em resistir, em não deixar que o apagamento seja consumado.

E nós precisamos aprender com isso — insistir até o limite, até que não reste mais espaço para a cumplicidade, até que a palavra genocídio não possa mais ser abafada.



[ad_2]

spot_img