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quarta-feira, 29 abril, 2026
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STF autoriza visitas de militares ligados a assédio e tortura a general preso por golpe

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Por Cleber Lourenço

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, autorizou a realização de visitas ao general da reserva Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, condenado por participação na tentativa de golpe. A decisão confirma a agenda revelada pelo ICL Notícias e formaliza uma lista que reúne militares ligados a episódios recentes de crise dentro das Forças Armadas.

A autorização ocorre em um momento central para o caso. Paulo Sérgio se prepara para julgamento no Superior Tribunal Militar, onde pode perder o posto e a patente, a sanção mais severa prevista para militares. A eventual perda da patente encerra a carreira, afeta benefícios e pode alterar o regime de cumprimento de pena.

No despacho, Moraes defere o pedido de visitas e determina que os encontros sigam as regras do local onde o general está custodiado, sob responsabilidade do Comando Militar do Planalto.

A decisão organiza uma agenda detalhada com datas e nomes indicados pela defesa. A lista reforça um movimento já identificado pela reportagem: a tentativa de manter ativa uma rede de interlocução militar e política no momento que antecede o julgamento.

Entre os autorizados está o almirante de esquadra Ademir Sobrinho, ex-integrante do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, com visita prevista para 30 de abril.

Também foi liberada a visita do então major Fulgêncio Leitão de Castro e Silva Júnior, acompanhado de sua esposa, Elma Henrique, em encontro conjunto marcado para 3 de maio. O formato da visita havia sido solicitado pela defesa na petição apresentada ao STF.

O nome de Fulgêncio ganha relevância por estar ligado a um dos episódios mais graves revelados nos últimos anos sobre abusos dentro do Exército. Reportagem do Intercept Brasil, com base em relatório de sindicância, apontou que ele integrava a cadeia de comando em um caso ocorrido em Fortaleza, no qual um recruta foi submetido a agressões físicas, humilhações e privação de alimentação em um contexto marcado por motivação homofóbica.

A própria investigação interna reconheceu os maus-tratos, mas o caso não resultou em responsabilização efetiva. Segundo a apuração, houve tentativa de atribuir o quadro da vítima a problemas psicológicos preexistentes, e o soldado acabou dispensado sem qualquer reparação. O episódio passou a ser citado como exemplo de falhas estruturais nos mecanismos de controle interno das Forças Armadas.

Outro nome relevante é o do general da reserva Ubiratan Poty, acusado de assédio sexual em 2024, com visita autorizada para 5 de maio. A acusação envolve uma funcionária terceirizada durante agenda oficial em Manaus, quando ele ocupava cargo no Ministério da Defesa. O episódio levou à sua exoneração.

A agenda inclui ainda oficiais com passagem pelo Centro de Instrução de Guerra na Selva, como Marcius Cardoso Netto, Bruno Krepke Leiros Peixoto e Asdrubal Rocha Saraiva, além de Ricardo Pereira de Araújo Bezerra.

A presença desses nomes amplia o peso político e institucional da lista. Não se trata apenas de visitas pessoais, mas de um conjunto de contatos com histórico dentro da estrutura militar, alguns deles associados a episódios recentes de crise e controvérsia.

A inclusão desses nomes reforça a conexão entre militares que, mesmo após denúncias e investigações, seguem mantendo vínculos ativos dentro da estrutura.

A lista também evidencia relações construídas ao longo da carreira. Paulo Sérgio e Ubiratan Poty foram colegas na Academia Militar das Agulhas Negras, onde ingressaram no fim da década de 1970. Parte dos demais nomes tem passagem por unidades como o Centro de Instrução de Guerra na Selva, indicando trajetórias que se cruzam ao longo dos anos dentro da estrutura militar.

Com a decisão de Moraes, a movimentação que vinha sendo feita nos bastidores ganha formalização. A ampliação das visitas passa a integrar o momento de preparação para o julgamento no STM, onde o general enfrenta o risco de perder a patente e encerrar sua trajetória nas Forças Armadas.





ICL Notícias

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