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segunda-feira, 16 fevereiro, 2026
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Sóstenes afirma que PL deve votar para contra ‘anistia light’

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Por Cleber Lourenço

O projeto de anistia em discussão no Congresso enfrenta resistência aberta no PL, maior partido de oposição e principal sustentáculo político do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em conversa reservada, o deputado Sóstenes Cavalcante, líder da legenda na Câmara, afirmou que a bancada deve votar contra a proposta de Davi Alcolumbre, ainda que ela se limite à redução de penas. A posição reforça a imagem de que o PL pretende manter uma linha dura no debate.

Questionado sobre a possibilidade de o texto avançar no Senado e chegar à Câmara, Sóstenes foi cuidadoso ao destacar que ainda não há uma versão oficial em circulação: “Eu não posso falar nada, não existe texto”. No entanto, ao ser confrontado com a hipótese de uma redação mais restrita, não deixou dúvidas: “Mas se for assim, a gente vota contra sim”. A resposta traduz a estratégia de marcar posição política antecipadamente, mesmo antes de conhecer o conteúdo final da proposta.

A fala evidencia que o PL pretende se manter contra qualquer tentativa de flexibilizar sanções, reforçando sua imagem de oposição intransigente. O posicionamento também dialoga com episódios recentes envolvendo Jair Bolsonaro e a forma como ele tratou seus próprios apoiadores. Durante interrogatório no Supremo Tribunal Federal em junho, o ex-presidente chamou de “malucos” aqueles que pediam intervenção militar após as eleições de 2022. A declaração pública demonstrou que, em situações de pressão, Bolsonaro não hesita em desqualificar os seguidores que levaram adiante suas bandeiras mais radicais.

Esse desprezo pela militância foi reforçado em relatório da Polícia Federal que detalha como a chamada “anistia light” nunca esteve nos planos do núcleo bolsonarista. Em mensagens atribuídas a Eduardo Bolsonaro, a proposta de beneficiar apenas manifestantes de menor relevância foi tratada como inócua. Segundo os investigadores, Eduardo avaliava que a medida não resolveria o problema central: livrar Jair Bolsonaro de uma eventual condenação. O documento aponta que o objetivo sempre foi garantir a sobrevivência política do ex-presidente, enquanto a base era instrumentalizada como moeda de troca.

Sóstenes

Print das mensagens de Eduardo Bolsonaro (Foto: Reprodução)

Além das mensagens, a PF descreve a preparação de uma campanha publicitária organizada por aliados do bolsonarismo, especialmente lideranças religiosas, para tentar dar verniz popular à anistia. O material incluía vídeos e slogans que buscavam vincular o perdão judicial a uma narrativa de liberdade e de suposta perseguição política. Essa estratégia mostra como até mesmo a fé foi mobilizada para pressionar o Supremo Tribunal Federal e a opinião pública, numa tentativa de pavimentar um caminho de autopreservação para Bolsonaro.

Sóstenes indica cenário de pressão

Ao se posicionar de forma categórica contra, Sóstenes insere o PL em um cenário de tensão dupla: de um lado, contra a proposta de Alcolumbre; de outro, diante da contradição entre a retórica de Bolsonaro em defesa da base e a prática de descartar militantes quando conveniente. Sua ressalva sobre a inexistência de um texto concreto, contudo, demonstra que a liderança do partido prefere manter espaço para ajustes futuros, preservando margem de negociação caso o tema avance.

Na prática, a manifestação do líder do PL serve como termômetro do que pode ocorrer na Câmara. Indica resistência a qualquer versão considerada uma “anistia branca” e, ao mesmo tempo, revela como o partido equilibra sua estratégia entre manter fidelidade ao bolsonarismo e proteger sua própria imagem de oposição firme em meio às contradições expostas do ex-presidente.



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