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terça-feira, 10 fevereiro, 2026
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Sócia de ex-diretor do Detran-AM assume cargo estratégico no órgão e levanta questionamentos sobre vínculos políticos

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A empresária Bruna Batista Ribeiro foi nomeada para exercer um cargo em comissão no gabinete da presidência do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM), conforme publicação no Diário Oficial do Estado de 8 de novembro de 2022. De acordo com o Portal da Transparência, o salário mensal da função ultrapassa R$ 10 mil. A nomeação chama atenção porque, além de não se tratar de uma função técnica, Bruna é sócia do ex-presidente do órgão, Rodrigo de Sá (Progressistas), atual vereador de Manaus.

Vínculos empresariais e políticos

Dados da Receita Federal apontam que Bruna Batista Ribeiro é sócia da empresa FG Serviços de Apoio e Monitoramento Eletrônico LTDA, ao lado de Rodrigo de Sá, que comandou o Detran-AM até 2024. O delegado deixou a presidência do órgão para assumir vaga na Câmara Municipal de Manaus, após se eleger vereador.

Essa relação empresarial entre Bruna e o ex-diretor coloca em evidência a influência de Sá na atual gestão do Detran-AM, gerando questionamentos sobre possível conflito de interesses e manutenção de redes políticas no comando da autarquia.

Histórico de cargos públicos

A trajetória de Bruna Batista no serviço público não é inédita. Ela já havia sido nomeada anteriormente para funções na Superintendência Estadual de Habitação (Suhab). A recorrência em cargos de confiança sugere trânsito político e proximidade com estruturas de poder no Estado.

O salário de delegado e o mandato de vereador

Além das conexões empresariais, outro ponto polêmico envolve Rodrigo de Sá. Mesmo ocupando uma cadeira no Legislativo Municipal, o delegado continua recebendo integralmente o salário de mais de R$ 44 mil da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM).

Segundo a Constituição Federal, no artigo 38, inciso III, é possível acumular o salário de servidor com o de vereador apenas se houver compatibilidade de horários. Caso contrário, o servidor deve se afastar da função original, mantendo apenas a remuneração referente ao mandato.

No entanto, registros do Diário Oficial do Estado mostram que Sá segue recebendo integralmente o salário de delegado há pelo menos oito meses, o que representa mais de R$ 350 mil pagos pelos cofres estaduais no período. A situação levanta dúvidas sobre a compatibilidade de horários entre as atividades parlamentares e as funções na Polícia Civil.

O peso político do Detran-AM

Especialistas em administração pública alertam que a presença de sócios e aliados políticos em cargos estratégicos pode comprometer a transparência e abrir margem para favorecimentos. O Detran-AM é considerado um dos órgãos mais cobiçados na estrutura do governo estadual, em razão da alta arrecadação com taxas e serviços.

Ter pessoas próximas em cargos estratégicos pode significar influência sobre contratações, licitações e decisões administrativas, especialmente em áreas de serviços terceirizados. Esse tipo de cenário é visto como um dos mecanismos de perpetuação de grupos políticos em órgãos de grande relevância financeira.

Repercussões e cobranças por esclarecimentos

O caso envolvendo Bruna Batista Ribeiro e Rodrigo de Sá evidencia como conexões políticas e empresariais ainda desempenham papel central na ocupação de cargos públicos no Amazonas. Questionamentos sobre critérios de nomeação, compatibilidade de funções e potenciais conflitos de interesse seguem sem respostas claras por parte do governo estadual e do próprio Detran-AM.

A expectativa é de que órgãos de controle e fiscalização, como o Ministério Público e o Tribunal de Contas, acompanhem de perto a situação para avaliar eventuais irregularidades.

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