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sábado, 28 fevereiro, 2026
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Sinal escondido no cérebro pode revelar Alzheimer anos antes dos sintomas, aponta estudo

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Pesquisadores da Universidade Internacional da Flórida (FIU), nos Estados Unidos, descobriram uma proteína no cérebro que pode sinalizar o desenvolvimento do Alzheimer muito antes do aparecimento dos sintomas clínicos. O estudo, publicado na revista Acta Neuropathologica, oferece novas pistas sobre a origem da doença e abre possibilidades para diagnósticos mais precoces.

Em experimentos com camundongos, os cientistas detectaram níveis elevados da proteína TSPO em animais com apenas seis semanas de vida — idade que corresponderia a cerca de 18 a 20 anos em humanos. O aumento ocorreu em uma região do cérebro associada à memória, o subículo.

A equipe também examinou tecidos cerebrais de pessoas portadoras de uma mutação genética responsável por uma forma rara e precoce de Alzheimer, que costuma surgir entre os 30 e 40 anos. O mesmo padrão de elevação da TSPO foi encontrado em amostras post-mortem de nove pessoas na Colômbia com essa mutação, reforçando a ligação da proteína com o início da doença.

“A neuroinflamação é um evento muito precoce no Alzheimer que influencia seu desenvolvimento”, explica o neurocientista Tomás Guilarte, um dos autores do estudo. “Se conseguirmos usar a TSPO para detectá-la logo nos estágios iniciais, poderemos retardar a progressão ou atrasar os sintomas em cinco ou seis anos — o que representa uma melhora significativa na qualidade de vida.”

Alzheimer

O alzheimer afeta principalmente idosos. (Foto: Reprodução)

Segundo os pesquisadores, o aumento da TSPO ocorre principalmente em células de defesa do cérebro conhecidas como microglia, que se acumulam em torno das placas de beta-amiloide — aglomerados de proteína fortemente associados ao Alzheimer. Em vez de eliminar essas placas, as microglias acabam produzindo ainda mais TSPO, perpetuando a inflamação.

Embora o estudo tenha se concentrado em casos genéticos e precoces, que representam uma pequena parcela dos diagnósticos, os resultados podem oferecer pistas valiosas para compreender o Alzheimer em geral e orientar futuras pesquisas sobre prevenção e tratamento.

“Um dos maiores desafios da doença é o diagnóstico tardio, já que o Alzheimer costuma ser associado apenas ao envelhecimento”, ressalta o neurocientista Daniel Martinez-Perez, também da FIU. “Nosso objetivo é identificar sinais precoces para agir antes que o paciente apresente um comprometimento severo.”





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