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sexta-feira, 13 fevereiro, 2026
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‘Simões no PSD não impacta palanque de Lula em MG’, avalia cientista político — Brasil de Fato

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Pré-candidato ao Executivo de Minas Gerais, o vice-governador, Matheus Simões, ainda filiado ao partido de Romeu Zema (Novo), está em vias de migrar para o PSD, legenda com o maior número de prefeitos no estado e no Brasil. Atualmente, a sigla integra a base do governo federal e abriga o senador Rodrigo Pacheco, defendido pelo presidente Lula (PT) — até o momento — como o melhor nome do campo progressista para a disputa pelo governo mineiro.

Na terça-feira (7), Simões, Zema e o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, almoçaram juntos. Segundo os bastidores, um dos principais tópicos da conversa teria sido a mudança de partido do vice-governador e as possibilidades de uma composição entre  Zema e um nome psdista para as eleições presidenciais.  

Para o cientista político Estevão Cruz, a ida de Simões ao PSD pode retirar um partido importante do bloco democrático alinhado ao governo Lula. 

“É um partido com peso na bancada federal e estadual, com um ministro mineiro no governo Lula e um pré-candidato ao governo de MG, que é o Rodrigo Pacheco. Essa ida representará uma ampliação importante para a candidatura de Simões. O PSD foi o partido que disputou contra Zema nas eleições de 2022”, explica. 

Ao mesmo tempo, o especialista não acredita que a movimentação vá dificultar que Lula, que vive uma onda de melhora nos índices de aprovação e deve concorrer à reeleição, tenha um palanque no estado, que é o segundo maior colégio eleitoral do país e considerado decisivo nas disputas nacionais. 

Isso porque, segundo ele, além das intenções de Simões e Zema, outro elemento pesa nessa balança: as decisões nacionais do PSD, que possui nomes potenciais para concorrer a uma cadeira no Palácio do Planalto em Brasília, como o governador do Paraná, Ratinho Júnior. No mês passado, Kassab afirmou que o partido só não terá candidatura própria se for compor com Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo que aparece entre os nomes possíveis para capitanear os votos da extrema direita. 

Ao mesmo tempo, mesmo recebendo convites de siglas como o PSB, Rodrigo Pacheco não deu demonstrações de que irá mudar de legenda, indicando a possibilidade de disputar com o Simões no interior do PSD a defesa de sua candidatura ao governo de Minas. 

“Se Pacheco for candidato a governador por outro partido, ainda assim, Lula terá palanque em Minas. Mas essa movimentação só ocorrerá como reflexo das decisões nacionais do PSD, que estão relacionadas com a montagem de um palanque para uma eventual candidatura de Tarcísio de Freitas para a presidência. Contraditoriamente, a candidatura de Simões pelo PSD representará o enterro das pretensões presidenciais de Zema”, avalia Cruz, sinalizando que, caso o partido de Kassab lance Simões em MG, é provável que a candidatura de Zema à presidência seja rifada no processo. 

A complexidade do cenário, marcado por fissuras no campo da direita à nível nacional e estadual, indica, de acordo com o cientista político, que há possibilidades para uma boa atuação do campo progressista em 2026.  “Essas fissuras tornam, sem dúvida, a eleição mais aberta e, desde que o campo progressista e alinhado com o governo Lula consiga ter uma candidatura competitiva, coloca uma vitória desse campo como possível”. 

Importância de olhar para Minas

Com mais de 16 milhões de eleitores, grande extensão territorial e uma divisão regional que lembra a diversidade existente nas regiões do Brasil, para além de ser o segundo maior colégio do país, outros motivos também ajudam a explicar a relevância de Minas Gerais para as eleições nacionais.

É o que chama a atenção do professor de comunicação política e sócio-fundador da Quaest Felipe Nunes. Ele lembra da capacidade que Romeu Zema teve em 2022, após ter sido reeleito governador em primeiro turno, de mobilizar a máquina do Estado para diminuir a vantagem de Lula em território mineiro. 

“A eleição para o governo de Minas Gerais é tão estratégica quanto toda a discussão presidencial. Se a direita for capaz de ganhar no primeiro turno, como a esquerda foi em 2014, há uma chance enorme de a máquina política do Estado favorecer o candidato da oposição. Em 2022, o governador Romeu Zema virou um volume enorme de votos a favor de Bolsonaro (PL). Não conseguiu virar o jogo, mas ficou perto de fazer isso”, alertou em video em suas redes sociais.

“Ao mesmo tempo, se a direita não for capaz de chegar unificada e forte para ganhar no primeiro turno em MG, Lula tem enormes chances de ter o quarto mandato. Ou seja, eu olharia com muito cuidado, não só para os dados de pesquisa em Minas, mas também para o jogo político, para como os partidos estão se organizando”, continua Nunes. 

O especialista também destaca que, no histórico eleitoral, Minas Gerais tem a tradição de definir as eleições para o governo estadual em primeiro turno. 

Braço direito de Zema

Apresentado publicamente como o “braço direito” do governador, Simões enfrenta ainda um outro desafio: o crescente desgaste de Romeu Zema na sociedade mineira, que, ao antecipar o lançamento de sua pré-candidatura, enfrenta cada vez mais embates com a oposição no estado. 

A gestão do Novo é criticada pela precarização dos serviços públicos, como educação, saúde e segurança; pela tentativa de privatização de empresas estatais estratégicas como a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa); pelas constantes viagens à São Paulo, enquanto a população reclama de problemas estruturais; a lentidão em resolver o problema da dívida do estado com a União; entre outros fatores. 

O Executivo mineiro também enfrenta uma crise interna, após a deflagração da Operação Rejeito, da Polícia Federal, que investiga casos de fraude, lavagem de dinheiro e corrupção na atuação do setor minerário. As investigações já indicam a relação entre membros do alto escalão e pessoas que ocupavam cargos de confiança no governo com a organização criminosa. 

Cruz destaca que, ainda que Simões e Zema possuam personalidades diferentes, na política, são aliados de primeira ordem. “No embate recente sobre o pagamento da dívida de Minas com a União, Simões assumiu a posição oficial do governo Zema. Eles representam uma tentativa de reorganizar a direita mineira a partir de um programa neoliberal conservador e apoiado em bases de extrema direita”, finaliza.

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Fonte: Brasil de Fato

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