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sexta-feira, 13 fevereiro, 2026
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Servidores da Abin criticam direção da agência e cobram marco legal

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Por Cleber Lourenço

A União dos Profissionais de Inteligência de Estado da ABIN (Intelis) divulgou nesta quarta-feira (3) uma nota pública com críticas diretas à cúpula da Agência Brasileira de Inteligência. O texto, intitulado Desafios da Inteligência, reage ao relatório “Desafios da Inteligência – Edição 2026”, produzido pela própria Abin, mas desloca o foco das ameaças externas para uma crise interna na estrutura do órgão.

Logo no início, a entidade reconhece a importância do documento oficial, que trata de interferências externas, crime organizado, desinformação, ataques cibernéticos e radicalização social. Mas em seguida afirma que, hoje, o maior problema não está fora, e sim dentro da agência:

“Não há dúvidas de que a atividade de Inteligência é fundamental para a segurança do País e para a proteção das instituições democráticas. Porém, para além dessas ameaças que sempre fizeram parte do escopo da Inteligência, os principais desafios que a ABIN enfrenta hoje são na verdade muito maiores e preliminares à sua missão finalística.”
A Intelis acusa a Abin de estar “sequestrada e engessada” por uma direção-geral considerada externa ao corpo de carreira e incapaz de conduzir o órgão. A nota afirma que a chefia da agência permanece no cargo mesmo após ter sido indiciada pela Polícia Federal.

“A Agência encontra-se sequestrada e engessada por uma direção-geral externa, politicamente e gerencialmente incompetente, que permanece no cargo mesmo após ser indiciada pela Polícia Federal por obstrução da justiça e atos de assédio — fatos que comprometem gravemente o funcionamento, a autoridade e a credibilidade do órgão.”

O tom é incomum para o padrão historicamente discreto dos servidores de inteligência. A entidade transforma a resposta ao relatório em um gesto político, ao apontar que a atual configuração da Abin compromete a própria capacidade do Estado de enfrentar as ameaças listadas no documento oficial.

Marco legal

A nota também reforça a cobrança por um marco legal específico para a atividade de inteligência no Brasil. Segundo a Intelis, as crises recentes evidenciam a necessidade de uma legislação moderna que, ao mesmo tempo, aperfeiçoe o controle democrático e dê instrumentos para atuação autônoma dos servidores concursados.

“Além disso, as sucessivas crises institucionais evidenciam a urgente necessidade de um marco legal moderno e robusto que, ao mesmo tempo em que aperfeiçoe os mecanismos de controle democrático da atividade de Inteligência, forneça ferramentas e amplo respaldo para que os servidores concursados da ABIN possam exercer com verdadeira eficácia e autonomia suas funções estratégicas.”
Nesse contexto, a entidade cita a PEC 18/2025, que trata da segurança pública, como possível ponto de partida para a construção desse arcabouço:

“A atual PEC 18/2025, que trata da segurança pública, tem o potencial de ser o primeiro passo rumo à construção desse arcabouço legal essencial, mas requer o empenho firme e responsável tanto do governo quanto da oposição para que se transforme em um avanço real para a Agência, para seus servidores e para o país.”

Sigilo dos agentes e vazamentos

Outro eixo da manifestação é a denúncia de quebra recorrente do sigilo da identidade de servidores da Abin. A Intelis afirma que vazamentos sucessivos de nomes e funções têm impacto direto na vida funcional, na segurança pessoal e na própria eficácia do trabalho de inteligência.

“Vivemos também uma crise séria no sigilo da identidade dos servidores da ABIN, cujos repetidos vazamentos acarretam prejuízos diretos às suas carreiras, ameaçam sua segurança pessoal e comprometem a eficiência na obtenção das informações necessárias para o trabalho de Inteligência.”

A entidade vincula essa exposição ao enfraquecimento da capacidade operacional da agência, em especial em atividades que dependem de discrição e proteção de fontes e agentes.

Orçamento no menor nível da história

A Intelis também fala em “crise orçamentária sem precedentes”. De acordo com o texto, a Abin opera hoje com o menor orçamento de sua história, em um cenário de aumento da complexidade das ameaças listadas pelo próprio relatório oficial.

“Por fim, enfrentamos uma crise orçamentária sem precedentes: a ABIN dispõe hoje do menor orçamento de sua história, o que inviabiliza a manutenção adequada de suas instalações, limita sua capacidade técnica e tecnológica e inviabiliza investimentos estraté



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