Por Cleber Lourenço
A senadora Eliziane Gama (MA) anunciou nesta quinta-feira sua saída do PSD, encerrando um ciclo de quase quatro anos na legenda. Em nota, a parlamentar afirmou que o partido decidiu seguir um novo rumo político no país e que, embora respeite a decisão, mantém uma posição diferente.
No comunicado, Eliziane destacou que sua trajetória no PSD foi marcada pelo diálogo e pela atuação guiada pela ética, mas indicou que o novo posicionamento da sigla tornou inviável sua permanência. A senadora também agradeceu ao presidente do partido, Gilberto Kassab, e a outras lideranças da legenda.
A saída ocorre em um momento de antecipação do jogo eleitoral de 2026, que já começa a reorganizar partidos e reposicionar lideranças no plano nacional. Nos últimos meses, o PSD passou a sinalizar de forma mais clara a construção de um projeto próprio ao Palácio do Planalto, alterando o eixo político da legenda.

Contexto
É nesse contexto que a decisão da parlamentar ganha contorno político mais amplo e passa a ser interpretada, nos bastidores, como um movimento alinhado a essa reconfiguração. A entrada do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, na disputa presidencial funcionou como catalisador desse processo, ao consolidar uma linha política distinta daquela defendida pela senadora.
A movimentação do PSD em direção a um projeto próprio ao Palácio do Planalto passou a colidir com a atuação política de Eliziane, que mantém proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo relatos de aliados, a senadora já vinha demonstrando desconforto com esse reposicionamento do partido.
A avaliação entre pessoas próximas é de que a permanência de Eliziane no PSD se tornaria politicamente inviável diante do novo alinhamento nacional da sigla.
Nos bastidores, a expectativa é de que a senadora formalize sua filiação ao Partido dos Trabalhadores nas próximas semanas. A mudança tem como objetivo reforçar o projeto de reeleição de Lula, especialmente no Nordeste, onde Eliziane tem atuação consolidada.
A senadora é vista como uma aliada estratégica do presidente e deve assumir um papel mais ativo na articulação política, tanto no Maranhão quanto no cenário nacional.
A saída de Eliziane também expõe o impacto da antecipação da disputa presidencial de 2026 sobre os partidos de centro, que começam a reposicionar suas lideranças e estratégias.
Dentro do PSD, a movimentação é tratada com cautela, mas há o reconhecimento de que a decisão da senadora está inserida em um contexto mais amplo de reorganização política e já esperam que outros nomes relevantes do partido façam o mesmo movimento



