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terça-feira, 10 fevereiro, 2026
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Rio retoma a rotina após operação policial mais letal da história deixar 64 mortos

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Cidade volta ao estágio de normalidade nesta quarta-feira, após dia de caos com interdições, ônibus incendiados e confrontos entre forças de segurança e criminosos.

Manhã de tranquilidade após dia de caos

O Rio de Janeiro amanheceu nesta quarta-feira (29) em situação de normalidade, depois de viver um dos dias mais tensos dos últimos anos. A cidade retornou ao estágio 1 de mobilização, o menor em uma escala de cinco, segundo o Centro de Operações e Resiliência (COR) da Prefeitura, o que indica que “não há ocorrências de grande impacto em andamento”.

Na terça-feira (28), o município foi tomado por cenas de guerra, com interdições em 35 ruas, ônibus usados como barricadas e incêndios em diversos pontos. A confusão ocorreu após uma megaoperação das forças de segurança do estado, considerada a mais letal da história do Rio, que deixou pelo menos 64 mortos.

Retaliação e bloqueios em toda a cidade

Em resposta à operação, criminosos ligados ao Comando Vermelho promoveram bloqueios em importantes vias da capital. Veículos foram atravessados nas pistas, latões de lixo e entulhos foram empilhados e incendiados, enquanto moradores tentavam se abrigar do confronto.

O Centro de Operações Rio elevou o estágio da cidade para o nível 2 às 13h48, devido às interdições e aos impactos no transporte público. Durante a madrugada desta quarta, equipes da Comlurb e das forças de segurança trabalharam para liberar as vias e remover os destroços.

A última via a ser completamente desbloqueada foi a autoestrada Grajaú-Jacarepaguá, que liga a zona norte à zona oeste, passando pelo Complexo do Lins. O tráfego foi restabelecido por volta das 2h45.

Transportes voltam à normalidade

Com o amanhecer, o sistema de transportes urbanos voltou a operar normalmente. De acordo com o COR, ônibus, VLT, BRT, metrô, trens e barcas funcionam sem alterações nesta manhã.

Na terça-feira, a situação foi bem diferente. Mais de 200 linhas de ônibus tiveram itinerários interrompidos ou desviados, e 71 coletivos foram utilizados por criminosos como barricadas. A suspensão temporária de trechos do BRT e as restrições de circulação na zona norte geraram grandes aglomerações.

Nos sistemas de trem e metrô, o retorno antecipado de milhares de passageiros para casa durante a tarde provocou superlotação nas estações e composições, obrigando as concessionárias a reforçar as operações com carros extras.

Operação mais letal da história do Rio

A operação, que teve como alvo lideranças do Comando Vermelho, é considerada a mais letal já registrada no Rio de Janeiro. O saldo de 64 mortos ultrapassa o número de vítimas de outras ações de grande repercussão no estado.

Fontes da Polícia Civil e Militar afirmam que a ação foi planejada para enfraquecer a estrutura da facção em comunidades estratégicas da zona norte e da zona oeste. Entretanto, entidades de direitos humanos criticaram a operação, classificando-a como desproporcional e de alto risco para a população civil.

O governo do estado ainda não divulgou o balanço final de presos e apreensões, mas confirmou que armas de grosso calibre e drogas foram recolhidas durante a incursão.

Reação de autoridades e clima de alerta

Em pronunciamento na noite de terça, o governador Cláudio Castro defendeu a ação policial, afirmando que “o Estado não recuará diante do crime organizado”. Segundo ele, a operação foi necessária “para devolver a paz aos cidadãos de bem”.

Já a Prefeitura do Rio destacou que o foco principal é garantir a normalização dos serviços e o atendimento à população. O prefeito Eduardo Paes usou as redes sociais para agradecer o trabalho das equipes de limpeza e manutenção que atuaram durante a madrugada.

Apesar da retomada da rotina nesta quarta, o clima de tensão ainda é perceptível em algumas regiões. Moradores relataram medo de novas retaliações, especialmente nas áreas próximas às comunidades que foram palco dos confrontos.

Cidade tenta retomar o ritmo

Com a liberação das vias e a retomada do transporte, o comércio voltou a funcionar normalmente. Escolas municipais e particulares abriram as portas, e o trânsito flui sem grandes retenções nas principais vias da cidade.

O Centro de Operações Rio reforçou que continua monitorando possíveis reflexos da operação e eventuais focos de instabilidade. Por enquanto, o cenário é de tranquilidade.

O estágio 1 permanece em vigor, indicando que a cidade retomou a normalidade após um dia que ficará marcado na história pela violência e pelo medo.

Fonte: Agência Brasil

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