29.3 C
Manaus
sexta-feira, 20 março, 2026
InícioBrasilRestrição da China a fertilizantes acende alerta no agro brasileiro

Restrição da China a fertilizantes acende alerta no agro brasileiro

Date:


A decisão da China de limitar as exportações de fertilizantes ganhou peso estratégico para o Brasil, que depende fortemente do mercado externo para abastecer o agronegócio. A medida, adotada para proteger o mercado interno chinês, ocorre em um momento já delicado para a oferta global, pressionada pela guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.

No último ano, os chineses se tornaram o principal fornecedor de fertilizantes ao Brasil, ultrapassando a Rússia. Foram cerca de 12 milhões de toneladas enviadas ao país, volume significativamente superior ao registrado no ano anterior. Já os russos, que tradicionalmente lideravam esse mercado, forneceram pouco mais de 11 milhões de toneladas.

Os números mostram o tamanho da dependência brasileira: o país importou cerca de 45,5 milhões de toneladas de fertilizantes, com um custo de US$ 15,5 bilhões. O consumo total foi ainda maior, próximo de 49 milhões de toneladas, enquanto a produção nacional ficou limitada a pouco mais de 7 milhões.

Esse desequilíbrio torna o Brasil especialmente vulnerável a choques externos — e o cenário atual é um dos mais desafiadores dos últimos anos.

A restrição chinesa se soma a uma série de problemas no mercado internacional. A guerra no Oriente Médio tem afetado rotas logísticas e encarecido insumos energéticos, essenciais para a produção de fertilizantes. Além disso:

  • A Índia aumentou a produção interna para garantir abastecimento;
  • A Europa já opera com capacidade reduzida, afetada pela menor oferta de gás;
  • Os Estados Unidos buscam novos fornecedores e reforçam barreiras comerciais para proteger seu mercado.

Esse cenário intensifica a competição global pelo produto, elevando preços e reduzindo a disponibilidade.

Falta de fertilizantes tem impacto direto nos alimentos

Apesar do foco frequente no petróleo, especialistas alertam que os fertilizantes são igualmente críticos. Estima-se que quase metade da produção global de alimentos dependa diretamente desses insumos. Sem eles, há redução de produtividade ou até diminuição da área plantada.

Os reflexos já começam a aparecer. Dados da FAO indicam que os preços globais de alimentos voltaram a subir, mesmo antes do agravamento recente do conflito no Oriente Médio.

A ureia, um dos principais fertilizantes, é um exemplo claro dessa pressão: a tonelada, que era negociada a cerca de US$ 450 no início do ano, já alcança níveis próximos de US$ 690 em importantes mercados internacionais.

Safra atual no Brasil não será afetada

O timing também preocupa. Produtores brasileiros estão finalizando a colheita da soja e iniciando o plantio do milho safrinha, ao mesmo tempo em que começam a planejar a próxima safra. No entanto, ainda há grande incerteza sobre preços e, principalmente, sobre a disponibilidade de fertilizantes.

Além disso, as importações vindas do Oriente Médio já mostram queda relevante neste início de ano, indicando um aperto ainda maior no abastecimento.

 





ICL Notícias

spot_img
spot_img
Sair da versão mobile