28.3 C
Manaus
sábado, 5 setembro, 2026
InícioBrasilReservado para humanos - ICL Notícias

Reservado para humanos – ICL Notícias

Date:


 

Trocar um trabalhador por uma inteligência artificial que faz a mesma tarefa pelo mesmo pode gerar uma economia de 20% a 25% para uma empresa nos EUA. A máquina nem precisa ser mais eficiente para valer a pena, basta o sistema tributário cobrar menos investimento em capital do que da contratação de humanos. A automação não fica barata sozinha, em boa parte são incentivos econômicos que fazem isso.

Por isso, muitos estudiosos e especialistas tem pedido que a promessa de uma máquina capaz de superar humanos em quase tudo seja abandonada em favor de esforços para criar sistemas que ampliem as capacidades humanas. Em vez de nos substituir, a IA facilitaria nosso trabalho. A redução da demanda por trabalho rotineiro devido a automação acontece desde 1980, sempre aumentando as desigualdades. A alternativa de uma uma IA pró-trabalhador é uma mudança de paradigma.  Em vez de trocar o professor por um chatbot, a ferramenta auxiliaria o profissional a enxergar a dificuldade específica de cada aluno para ajudá-lo.

Semana passada, Bill Gates publicou um texto em seu blog em que classificou a transição para a era da IA como uma das mais turbulentas da história recente. A proposta dele fala justamente em taxar tokens de IA e o trabalho de robôs para reduzir o incentivo econômico à substituição dos humanos. Indo além, Gates sugere a criação de uma categoria de funções que seriam reservadas para humanos, mesmo quando a máquina já for tecnicamente capaz de executar aquela tarefa. Afinal, o emprego carrega dignidade e vínculo social além da renda, coisas que a conta de produtividade não consegue medir.

O risco de tratar a substituição humana como fato consumado é que ela vira profecia. Assinaturas de 20 dólares nunca vão justificar o capital despejado nessas empresas, o prêmio real é a captura de uma fatia do mercado global de trabalho, estimado em 50 trilhões de dólares. O incentivo para essas empresas não é aumentar a produtividade humana e sim reduzir a necessidade dela.

Substituir humanos nunca foi consequência automática de nenhuma tecnologia, foi sempre uma escolha, hoje sendo feita por poucos CEOs de laboratórios de IA. No episódio desta semana do Resumido comentei como esse debate já começou a virar disputa ideológica, com uma parte da direita americana que adota a crítica à IA como bandeira própria, o que pode complicar qualquer tentativa de regulação.

Enquanto essa decisões couberem a um grupo tão pequeno de pessoas, reservar algo para os humanos é o mínimo a ser feito.





ICL Notícias

spot_img
spot_img