Por Thaísa Oliveira, Raphael Di Cunto e Augusto Tenório
(Folhapress) – O presidente do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), avisou ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que o partido não fará aliança com ele e ficará neutro nas eleições presidenciais. O comunicado foi dado na noite desta segunda-feira (3).
Mais cedo, em reunião com Flávio, Pereira já havia levado um levantamento interno do partido indicando que 17 de seus 27 diretórios regionais defendem a neutralidade na eleição presidencial deste ano. A intenção é liberar os estados a apoiarem qualquer candidato a presidente.
Na reunião, que teve também a presença do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, Flávio voltou a pedir o apoio do Republicanos e ofereceu mais uma vez uma vaga de vice em sua chapa.
O anúncio formal do partido do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, será feito nesta terça (4), quando ele realiza sua convenção nacional.
Flávio gostaria de ter em sua chapa Daniella Marques (Republicanos), ex-auxiliar de Paulo Guedes no Ministério da Fazenda, mas o nome dela enfrenta resistência dentro do partido de Tarcísio.
A três dias do prazo definido pela campanha de Flávio para a indicação do vice, o PL ainda fez um esforço para conquistar o apoio de siglas do centrão e tentar evitar uma solução interna, como a indicação da vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL) para a vaga, mas não obteve êxito.
Na semana passada, o PP, partido do senador e ex-ministro da Casa Civil Ciro Nogueira (PI), descartou o apoio a Flávio e barrou a indicação da senadora Tereza Cristina (PP-MS) para a vice. Tereza conversou pessoalmente com o senador e disse que aceitaria compor a chapa se houvesse o aval da legenda.
O Podemos também deve anunciar nesta quarta (4) que não apoiará Flávio. Na semana passada, a presidente da sigla, a deputada federal Renata Abreu (SP), recebeu a sugestão do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), de ser candidata a vice do senador. Mesmo assim, a posição majoritária da legenda se mantém inalterada, com a maior parte dos estados defendendo a neutralidade.
Durante a conversa desta segunda, os presidentes do PL e do Republicanos também trataram do palanque de Minas Gerais.
Sem o senador Cleitinho (Republicanos) na disputa, o partido deve apoiar o ex-deputado federal Marcelo Aro (PP).
O comando do PL também levou essa possibilidade ao diretório do partido em Minas, mas ainda não bateu o martelo sobre o apoio a Aro. Integrantes do partido afirmam que diferentes opções continuam sobre a mesa, como a candidatura de Flávio Roscoe (PL) ou de Vittorio Medioli (PL).
O PL também conversa com o Republicanos sobre a possibilidade de lançar o ex-prefeito Luís Eduardo Falcão (Republicanos), cotado anteriormente para vice de Cleitinho.
Como mostrou a Folha, o avanço em uma pesquisa divulgada nesta segunda e o envolvimento de Tarcísio e de Nunes se tornaram uma última cartada de Flávio para tentar fechar alianças na reta final.
O entorno do presidenciável considerou um trunfo o levantamento BTG/Nexus que indicou que Flávio cresceu quatro pontos no cenário de primeiro turno.
Outro argumento era que, caso o senador se eleja, daria prioridade na montagem do governo para legendas que o apoiaram desde o início.
Nos últimos dias, Nunes e Tarcísio fizeram uma investida para tirar o aliado do isolamento partidário e ajudá-lo a conseguir um nome de outro partido para a vice em sua chapa.
O nome preferido do prefeito era o da presidente do Podemos, Renata Abreu, legenda que apoia a reeleição de Tarcísio, mas que, na esfera federal, também sinalizou pela neutralidade.
O empenho maior de Tarcísio, contudo, foi para que a vice ficasse com Tereza Cristina. O governador e a senadora têm relação próxima, desde o tempo em que ambos eram ministros de Bolsonaro. Tarcísio telefonou para ela algumas vezes até construir as bases para que Flávio a convidasse para o cargo.



