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segunda-feira, 23 fevereiro, 2026
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Regulamentar as redes sociais é combater o crime

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Por Cleber Lourenço

 

O recente vídeo do criador Felca, expondo a adultização de crianças e a circulação massiva de conteúdos sexualizados com menores em redes sociais, é um choque de realidade e um retrato brutal da omissão das plataformas. Elas sabem que isso existe. Seus algoritmos, programados para maximizar engajamento, identificam, impulsionam e, muitas vezes, monetizam esses conteúdos criminosos.

Não é falta de tecnologia. É falta de vontade. Porque, no modelo de negócios dessas empresas, quanto mais polêmico ou chocante o conteúdo, mais engajamento; e quanto mais engajamento, mais lucro.

Regulamentar as redes sociais é combater a pedofilia. É enfrentar a epidemia de golpes digitais que arruínam famílias, o discurso de ódio que incita violência, o neonazismo que recruta jovens, e a desinformação que mata. Não é um debate sobre liberdade de expressão — é sobre segurança pública e o dever do Estado de combater o crime.

Hoje, criminosos encontram nas redes sociais um terreno fértil para agir. Ali, exploram menores, aplicam fraudes, espalham mentiras e organizam ataques contra instituições democráticas. E fazem isso com a tranquilidade de quem sabe que dificilmente será responsabilizado. As empresas simulam preocupação, divulgam relatórios e campanhas, mas mantêm políticas internas criadas para proteger o faturamento, não as vítimas.

Quando uma plataforma afirma que “regulação fere a liberdade de expressão”, o que ela realmente quer dizer é: “queremos continuar lucrando com o crime sem prestar contas”. É uma narrativa cínica, vendida como defesa da liberdade, mas que na prática significa garantir que crimes continuem sendo um negócio lucrativo. Fingem moderar conteúdo, divulgam relatórios de fachada, mas evitam qualquer ação que afete sua margem de lucro.

As big techs ganham milhões de reais todos os meses com publicidade e publicações patrocinadas de esquemas fraudulentos, golpes e redes de exploração. Enquanto criminosos e plataformas dividem os lucros, as vítimas ficam sozinhas com o prejuízo financeiro, emocional e, muitas vezes, irreparável. Esse modelo de negócios parasitário transforma sofrimento humano em métricas de engajamento e receita publicitária.

Ser contra qualquer mecanismo de controle, transparência e fiscalização é, na prática, assumir cumplicidade com esses crimes. É defender que redes sociais continuem operando como o maior e mais lucrativo mercado negro do planeta, mas com embalagem colorida, selo azul e botão de “curtir”.

O Brasil precisa enfrentar esse problema com coragem, definindo regras claras, punições severas e mecanismos de rastreabilidade para identificar e punir criminosos. Regulamentar não é censurar. Regulamentar é garantir que pedófilos, golpistas e grupos de ódio não continuem usando nossa infraestrutura digital contra nós. É estabelecer que, no país, nenhuma empresa — por mais bilionária que seja — está acima da lei.



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