Por Brasil de Fato
O Irã não participará da Copa do Mundo de futebol masculino, a ser disputada em Estados Unidos, México e Canadá entre junho e julho deste ano. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (11) pelo ministro dos Esportes iraniano, Ahmad Donjamali.
“Considerando que este regime corrupto assassinou nosso líder, em hipótese alguma podemos participar da Copa do Mundo”, disse Ahmad Donyamali, ministro dos Esportes do Irã.
A seleção iraniana se classificou para o Mundial pelas eliminatórias asiáticas e foi sorteado para o mesmo grupo com Egito, Bélgica e Nova Zelândia para a primeira fase do torneio.
Hipocrisia
Apesar de atacar o Irã, Donald Trump, presidente de um dos países sede do torneio, disse no começo de março que “não se importava” que a seleção iraniana participasse da Copa.
O presidente da Fifa, a entida maior do futebol internacional, Gianni Infantino, disse por meio das redes sociais que Trump o reiteirou que o Irã seria “bem-vindo” no campeonato.
“Me encontrei com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para discutir o andamento dos preparativos para a próxima Copa do Mundo da Fifa e a crescente expectativa, já que faltam apenas 93 dias para o início do torneio”, disse Infantino.
“Também conversamos sobre a situação atual no Irã e sobre o fato de a seleção iraniana ter se classificado para participar da Copa do Mundo de 2026. Durante as discussões, o presidente Trump reiterou que a seleção iraniana é, obviamente, bem-vinda para competir no torneio nos Estados Unidos.”
“Todos nós precisamos de um evento como a Copa do Mundo para unir as pessoas, agora mais do que nunca, e agradeço sinceramente ao Presidente dos Estados Unidos pelo seu apoio, pois isso demonstra mais uma vez que o futebol une o mundo.”
A postura da Fifa contrasta com a adotada pela própria entidade, que suspendeu a Rússia por tempo indefinido após o início da guerra da Ucrânia em 2022. Como resultado, a equipe não participu da Copa de 2022, a Euro 2024 e as eliminatórias para a Copa deste ano.
Agressões contra o Irã
Os ataques conjuntos, não provocados e considerados ilegais pelas leis internacionais, dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciados no dia 28 de fevereiro, ocorreram em meio a negociações sobre o programa nuclear iraniano.
Apesar da disposição anunciada pelo país persa em cooperar com a Agência Internacional de Energia Atômica e se comprometer a usar seu programa nuclear exclusivamente para fins pacíficos, Israel e EUA – ambas potências nucleares – acusam Teerã de secretamente buscar a construção de armas atômicas.
Tel Aviv também acusa o Irã de ser “ameaça existencial” ao país, mas a acusação é rebatida por analistas que argumentam que o governo iraniano se encontra hoje muito enfraquecido pelos ataques de junho de 2025, pelas sanções impostas pelos EUA, protestos internos e o fim do corredor até o Líbano, após a queda de Bashar al-Assad na Síria.
A derrubada do governo em Teerã é objetivo cultivado por Washington e Tel Aviv desde a instalação da República Islâmica, em 1979, que substituiu o regime vassalo do Ocidente e instituiu o governo teocrático nacionalista. Nos primeiros dias de ataques, bombardeios mataram lideranças iranianas, incluindo o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, que governava o país desde 1989.
Terceiro maior produtor de petróleo do mundo, o Irã fechou, após o início das agressões, o Estreito de Ormuz, por onde é escoada a produção de vários países do Golfo. Por lá passa cerca de 20% do petróleo consumido globalmente, o que gera temores de uma crise inflacionária internacional. Outro temor, apontado por analistas, é que o conflito se expanda para outros países da região, com consequências imprevisíveis.



